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O ENIGMA DE MINOS NA REVISTA LEITURAS DA HISTÓRIA 8
A revista Leituras da História #8, da Editora Escala, traz um artigo de minha autoria sobre as origens históricas de um dos símbolos mais conhecidos e menos compreendidos da humanidade: o Labirinto. Veja abaixo um trecho do artigo:
Lenda ou Realidade?
Não se sabe em específico o quanto da lenda é baseado em ficção e qual a parte relativa à realidade. Muito se especula sobre a função de cada um dos elementos da lenda, da paternidade de Teseu até o fio de Ariadne.
Como a escrita minóica encontrada nas escavações de Creta (a chamada linear A) ainda não foi decifrada, não se sabe se a palavra Minos é um nome próprio ou se seria a designação naquela língua morta para um rei. Acadêmicos das principais universidades européias apontam para semelhanças entre o nome do rei da lenda e outros reis da Antiguidade, como Menés, do Egito, e Manu, da Índia. Os arqueólogos dizem que há evidências de que Minos pode ter sido mesmo uma pessoa específica e que ele teria vivido por volta do ano 1500 a.C., responsável pela unificação do povo cretense e criador da primeira armada minóica, destruída trinta anos depois desse período.
Para um dos mais famosos arqueólogos britânicos, Arthur Bernard Coock, Minos e Minotauro são diferentes formas de um mesmo personagem, representações do deus-sol dos cretenses, povo que representava o astro-rei como um touro. Para ele e mais alguns acadêmicos, a união de Parsifae com o touro vindo do mar é uma maneira de descrever uma cerimônia sagrada, na qual a rainha de Cnossos tornava-se noiva de um deus-sol.
Porém a parte mais intrigante da lenda é mesmo a descrição do labirinto. Como era de se esperar, os arqueólogos que começaram a trabalhar em Creta desde a época de sir Arthur Evans (em 1900) esperavam encontrar vestígios de tal construção. Porém não encontraram absolutamente nada que correspondesse à lenda. Porém o próprio palácio de Cnossos, devido à grande quantidade de salas, escadarias e corredores, seria para muitos a fonte primária da descrição da morada do Minotauro.
A batalha de Teseu com o Minotauro, sua entrada no Labirinto, a entrega do fio condutor, a morte do monstro e a vitória do herói, todos esses elementos transformaram o labirinto num símbolo que inicialmente tratava de mistério e iniciação.
Origens
A própria descrição dos caminhos confusos que permeavam a construção tornou-se o padrão para a definição do símbolo. O que poucos conseguem entender é que há uma diferença básica entre um labirinto e um dédalo, que seria o verdadeiro nome do labirinto confuso que conhecemos. Enquanto o primeiro é definido como uma forma tortuosa que leva inexoravelmente ao centro sem becos, saídas ou caminhos falsos, o Dédalo seria o verdadeiro labirinto confuso como o conhecemos.
Mas qual seria a origem e o significado dessa estranha palavra? Ninguém sabe ao certo, mas as referências à sua existência vão muito além do mito de Minos. Por exemplo, na Índia, bem distante do mediterrâneo e de suas culturas, há o poema indiano chamado Mahabharata, um texto constituído de mais de 74.000 versos em sânscrito e mais de 1,8 milhões de palavras, com um total aproximado de 90.000 versos. É nessa narrativa que encontramos a história de um mágico chamado Droma, que foi o mestre de um labirinto localizado no sul da Ásia.
A tradição judaica já afirma na Bíblia que o Labirinto seria uma criação do rei Salomão. Essa opinião seria a predominante de diversos adeptos da cabala. Nessa tradição, retomada pelos alquimistas durante a Idade Média, o Labirinto possuía uma função mágica e seria um dos segredos que nos teria sido legado pelo personagem bíblico. Essa seria a razão pela qual os labirintos das catedrais são constituídos por uma série de círculos concêntricos que são interrompidos em determinados lugares. Essa imagem seria um retrato da obra máxima alquímica, que mostra as suas dificuldades maiores, que vão da via que convém seguir para atingir o centro até o caminho que o artista deve tomar para sair.
O Labirinto clássico, como o de Creta, é um espaço fechado com um complexo circuito de corredores que levam ao ponto central. A linha tortuosa que compõem esse caminho simbolizaria pelo ponto de vista esotérico as dificuldades da vida terrena, enquanto o centro representaria a morte e a ressurreição do viajante.
Vale lembrar, ainda, que o tema Labirintos é resultado de um trabalho que está para ser publicado em breve. Maiores detalhes divulgarei mais para frente neste e em outros blogs. Fiquem, de olho!
