CANTO DO ORÁCULO

Trabalhos Literários do Jornalista e Escritor Sérgio Pereira Couto

Archive for Maio 30th, 2008

UM NOVO MÊS, UMA NOVA IMAGEM

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O DESAFIO CONTINUA. VOCÊ É CAPAZ DE DIZER MAIS SOBRE A DIFERENÇA ENTRE AS IMAGENS? O QUE ELAS SIGNIFICAM? QUAL A MENSAGEM QUE PASSAM? SOLTE SUA IMAGINAÇÃO E MANDEM SEUS COMENTÁRIOS! O VENCEDOR GANHARÁ UM BRINDE SURPRESA”

Artigo Sobre Mistérios da História É Publicado

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O novo número da revista Leituras da História, da Editora Escala, já está nas bancas. O número 9 traz um artigo, de minha autoria, falando sobre os Mistérios da História, apresentando fatos e personagens que, até hoje, estão envoltos em enigmas que os historiadores procuram identificar como sendo real ou não. Entre os assuntos enfocados estão a morte dos príncipes da Coroa Britânica pelas mãos de Ricardo III, o desaparecimento de Glenn Miller, a colônia perdida de Roanoke (citada por Neil Gaiman em 1602, da Marvel), o assassinato de Jesse James, a verdadeira identidade de Shakespeare e muito mais. O trecho abaixo é do artigo e fala sobre Romeu e Julieta. Para o artigo completo adquira seu exemplar nas bancas!

Qual é a melhor maneira para fazer com que uma pessoa qualquer (seja um adulto ou uma criança) se interesse por história? Com certeza não é desfiar uma infinidade de fatos e datas e pedir para que decorem, mas sim mostrar o quanto essa matéria pode ser interessante se bem estudada e compreendida. E que melhor artifício para isso do que lançar mão dos assim chamados mistérios históricos?
Esse termo não é novidade para as pessoas mais atentas. Canais de tv por assinatura como o The Discovery Channel já produziram vários especiais sobre o assunto, que ganharam edição em DVDs vendidos diretamente para o consumidor. Numa primeira passada de olhos o interessado poderá ver o assunto com certa relutância, já que à primeira vista parece se tratar apenas de assuntos esotéricos, uma vez que a maioria deles envolve história antiga em questões bastante discutidas e polêmicas, como quem construiu as pirâmides ou o monumento megalítico de Stonehenge, na Inglaterra. Porém, com o passar do tempo (e com a ajuda de Hollywood, que cada vez mais usa esses mistérios como matéria para filmes), as pessoas começam a ver que há outros assuntos quase tão fascinantes e intrigantes quanto saber o que causou o fim da civilização maia ou se a Atlântida realmente existiu ou não passou de uma alegoria criada pelo filósofo grego Platão.
O fato de hoje possuirmos tecnologia mais avançada não é garantia que ela irá resolver na solução desses mistérios. Um exemplo disso é a análise química que estudiosos insistem em fazer no santo Sudário de Turim para verificar sua autenticidade. A idéia vigente desde a década de 1970, de acordo com os resultados do carbono 14, era a de que o tecido era originário do século XIV, um resultado que sempre fora contestado pelos fiéis que acreditam piamente em sua origem divina. Recentemente cientistas europeus divulgaram que, devido a uma série de fatores externos, o resultado dos testes poderia ter sido alterado, já que a cada 5700 anos a quantidade de carbono 14 no tecido cai pela metade.
Independente das crenças das pessoas, é mesmo o fator sobrenatural que faz com que o interesse das pessoas cresça sobre esses mistérios históricos. Porém outros foram falados à exaustão por revistas especializadas do mundo todo (confirma os boxes deste artigo com pelo menos três dos casos mais famosos). A seguir veremos alguns casos dividos por categorias adotadas pela maioria dos pesquisadores.
Uma das principais categorias é a que envolve personalidades que transitam entre o real e o imaginário. Dois exemplos foram dados em meu artigo sobre os mitos e lendas da Idade Média, quando falei sobre Guilherme Tell e o Flautista de Hamelin. Vamos conferir mais alguns exemplos.
Um dos mais conhecidos é a peça de William Shakespeare, Romeu e Julieta. Todos conhecem a história dos amantes de Verona que, impedidos de desfrutarem um do outros pela briga de suas famílias, armam um plano para ficarem juntos que, uma vez que dá errado, somente gerará uma tragédia que englobou as duas famílias.
A primeira versão impressa da peça, que data de 1597, leva no frontispício o comentário de que a história foi “freqüentemente representada em público”, sempre com sucesso. Essa intensidade da história e dos personagens leva muitas pessoas a crerem que a trama é inspirada em pessoas reais. Um italiano que foi contemporâneo de Shakespeare, chamado Giralomo della Corte, falava para todos os visitantes que passavam por Verona, que a tal história era de fato real e que teria ocorrido em 1303. Curiosamente nem Shakespeare nem seu editor confirmaram a existência histórica dos amantes.
Quem tem paciência para revirar livros antigos, entretanto, afirma que versões semelhantes da tragédia eram possíveis de serem verificadas, como a obra Anthia e Abrocomas, um romance de autoria do escritor grego do século II, Xenofonte Epehesio.
Há uma história que seria a fonte usada por Shakespeare, chamada Novellino, de autoria de Massuccio Salernitano, que depois foi novamente recontada 50 anos depois por Luigi da Porto, que teria chamado seus personagens de Romeo e Guilietta. A versão de da Porto continha os mesmos elementos da versão de Shakespeare, inclusive no detalhe dos nomes das famílias (Montecchi e Cappelletti).
Uma outra versão antiga identificada era de um também escritor italiano chamado Matteo Bandello, que fez uma adaptação em 1554, de onde, pouco depois, foi traduzida para o francês. Essa versão foi traduzida para o inglês em forma de versos já com o título de Romeus and Juliet (1562), de Arthur Brooke, e depois para prosa como The Palace of Pleasure (1567), este último de autoria de William Paynter. Brooke mencionou em alguns escritos que havia visto o mesmo argumento sendo levado à cena, o que fez com que os historiadores acreditassem que Shakespeare tivesse adaptado uma peça cuja origem hoje em dia é completamente desconhecida.
Ninguém sabe afirmar ao certo se a peça já retratou o amor perdido de um casal que realmente existiu ou foi uma adaptação de alguma história realmente criada na antiguidade. O que se sabe, com certeza, é que os nomes das famílias não são invenção de nenhum escritor e que já eram citados por Dante Aliguieri em sua Divina Comédia, de 1320, quando faz alusões a lutas internas da Itália de então. Já para o historiador americano Olin H. Moore, que sugeriu uma resolução mais ampla, os nomes Montecchi e Capelletti seriam, na verdade, nomes de partidos políticos (e não de famílias) que dominavam a vida política italiana no final da Idade Média, sendo os Montecchi na verdade os Guelfos e os Capelletti, os Gibelinos. A verdade, entretanto, permanece obscura.