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Crítica – Indiana Jones e a Nostalgia
Inaugurando a nova fase de meu blog, começo aqui a colocar alguns textos exclusivos de minha autoria para divulgação. A reprodução é permitida DESDE QUE citada a fonte. Eis minha primeira crítica. Espero que gostem.
Não há uma expectativa maior por parte das pessoas do que ver, de alguma maneira, um pedaço de seu passado de volta der maneira tangível. Esse foi o primeiro atrativo para arriscar assistir o novo filme de Indiana Jones mais de vinte anos após o primeiro.
É no mínimo interessante. Quando A Última Cruzada estreou, eu era um estudante de jornalismo aspirante a crítico de cinema, algo que, confesso, fazia apenas pela farra de poder assistir filmes de graça. Aos poucos você toma gosto pela coisa, mas no princípio, ninguém resiste a uma sessão de cinema gratuita.
Indiana Jones serviu como exercício de como fazer uma crítica com pouco esforço. Basta ter um pouco de conhecimento de história e um embasamento literário para fazer um bom texto com algo que lhe concede o posto de crítico. E comigo foi algo quase natural: um filme com vários clichês históricos que incluía O Santo Graal (muito antes da versão de Dan Brown) e personagens carismáticos, mas sem muito background que não fosse o cômico.
Seria mesmo este tipo de personagem que se espera de um filme que tem como produtor George Lucas? Aliás, o mesmo Lucas cuja saga Star Wars é estudada incessamentemente por todos os que querem aprender o Mito do Herói? Ou Lucas está pouco no controle dos personagens ou a influência de Spielberg resulta em personagens pouco críveis e com um ar de “estou apenas de passagem”.
Mesmo assim o poder da mídia é forte e, claro, resolvi encarar a situação. Entrei no cinema crente de que ia me divertir. Mas, sinceramente, faltou o gosto por odiar os nazistas, os vilões que todos adoram odiar. Harrison Ford ainda está bem no papel, apesar de não conseguir engolir um Indiana Jones de cabelos brancos. Por fim Karen Allen consegue passar pelas rugas que permeiam seu rosto e ressuscita Marion (do primeiro filme) de maneira impecável. As brigas entre os dois e as referências à fobia de cobras que Indiana possui são impagáveis.
Mas é tudo pelo qual posso realmente falar. Uma caveira de cristal que é mesmo um crânio de um alien? Um formato de cabeça que lembra as cabeças de Akhenaton e sua prole? Linhas de Nazca que são mesmo orientações para espaçonaves? Eldorado? “Meu Deus”, pensei embasbacado, “eles se renderam por completo para o lado ufológico”. Enquanto a trilogia original mexia com a arqueologia que tanto fascina as pessoas em produções como os filmes de Tomb Raider ou da Múmia (guardadas as devidas proporções, claro), este novo filme envereda pela velha paixão de Spíelberg: os ETs. E o que é pior, é um chavão atrás do outro. Duvido que as ruínas do Peru sejam tão chatas assim…
Enfim, não preciso dizer que a nostalgia acabou nos primeiros minutos do filme. Nem a presença de Elvis na trilha sonora ajudou. Indiana é um ícone dos anos 1980 que deveria ter ficado no passado. Se esta é a idéia que Lucas faz de uma “história empolgante” que leva tanto tempo assim para ser aprovada e filmada, acho melhor ele se dedicar a refazer os dois primeiros episódios de Star Wars, já que só acertou no último. E deixar certas coisas do passado em paz…
