CANTO DO ORÁCULO

Trabalhos Literários do Jornalista e Escritor Sérgio Pereira Couto

Artigo – O Que é Uma Caveira de Cristal?

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Uma conversa recente que tive com meu editor da revista Leituras da História, onde publico regularmente artigos, me fez perceber um fato no mínimo curioso: poucas pessoas sabiam dizer o que era uma caveira de cristal.

Se você, que lê este texto, frequentemente assiste aos canais de documentários da tv por assinatura, vai reconhecer facilmente o termo. Afinal, do The History Channel ao Discovery, a maioria deles já chegou a falar sobre o assunto. Mas para quem não conhece, vale a pena lembrar um pouco sobre o assunto.

Não é fácil falar sobre isso sem explicar que as caveiras de cristal são um dos principais tópicos de ufólogos, o que já faz com que te olhem com o canto dos olhos e manifestem uma vontade incontrolável de te internarem num hospício. Mas isso, com certeza, não atrapalhou ou fez com que Lucas e Spielberg desistissem de usar o tal artefato.

Não sabemos muito sobre os maias, além de alguns escritos deixados por padres espanhóis. Essa história começou em 1927, quando um arqueólogo britânico bem diferente de Indiana Jones, chamado F.A. Michell-Hedges, descobriu o primeiro exemplar. ERa uma réplica perfeita de uma réplica perfeita de uma cabeça humana talhada num único bloco de cristal de quartzo. O mistério em torno de tal artefato é justamente a maneira como ela foi feita, visto que não se conhece muito sobre as tecnologias maias, um campo que ainda está em vias de expansão e coleta de dados.

Mas o fato é que a tal caveira , dizem os especialistas, tem uma apresentação que, para se obter o mesmo resultado, seriam precisos pelo menos 300 anos de dedicação ao polimento do cristal de várias gerações de artesãos.

Um detalhe: a parte cuperior da boca é um prisma, o que deixa o objeto com uma aura de mais mistério ainda. Quando a caveira é iluminada na parte de baixo, o prisma projeta a luz para cima, de modo que esta sai pelos olhos e resulta num aspecto ainda mais tenebroso. Com certeza, um artifício para deixar as pessoas (no caso, as vítimas de sacrifícios) com mais medo ainda das entidades maias.

Mas por que tal artefato é ligado a ETS e discos voadores? Justamente por causa da complexidade do trabalho. Afinal, ninguém sabe dizer como o objeto tomou o aspecto que tem hoje sem uma tecnologia adequada.

O que não impede que sites, como o ceticismoaberto.com divulguem seus pareceres. Vejam o trecho do texto de lá:

Joe Nickell, do Centro para a Investigação Cética (CSI), e o cientista forense John Fisher investigaram as origens do crânio de cristal a princípios dos anos 80, com surpreendentes resultados. Comprovaram, para começar, que Thomas Gann, arqueólogo aficionado, e T.A. Joyce, do Museu Britânico, que escavaram em Lubaantun nos anos 20, não mencionam a peça em nenhum de seus livros. “Este objeto não tem nada a ver com o lugar nem com a arqueologia maia (realidade, até onde sei, nem com a américa pré-colombiana)”, explicou o arqueólogo Norman Hammond, perito na cultura maia da Universidade de Boston, quando lhe perguntaram por que não a citava em sua monografia sobre o enclave, publicada em 1975.

Em seu livro Secrets of the supernatural (1988), Nickell e Fisher destacam que em nenhuma foto tomada por Lilian Mabel Alice -mais conhecida como Lady Richmond-Brown e que estava acostumada a imortalizar os descobrimentos do explorador- vê-se a jóia ou a suposta autora do achado na cidade maia. “Anna Mitchell-Hedges nunca esteve em Lubaantun, à falta das provas”, sentencia Hammond. Existem documentos, entretanto, que provam que a peça foi leiloada por um tal Sydney Burney na Sotheby’s, em Londres, em 1943 com um preço de saída de 340 libras. Ninguém a comprou e, ao ano seguinte, F.A Mitchell-Hedges pagou a seu proprietário 400 libras pela peça. Um artigo publicado em 1936 pela revista Man revela, além disso, que a jóia era já então propriedade de Burney. Mas de onde tinha saído?

A Caveira do Destino não é única em seu gênero. Há várias mais de tamanho quase real, das quais a mais famosa é propriedade do Museu Britânico. Até meados dos anos 90, estava catalogada como “provavelmente asteca, de entre 1300 e 1500″. A instituição a adquiriu em 1898 da Tiffany’s, Nova Iorque, por 120 libras. Seu proprietário até então tinha sido o comerciante de antiguidades francês Eugène Boban. “Uma análise de várias caveiras de cristal realizada pelo Museu Britânico em 1996, utilizando microscopia eletrônica de varredura, encontrou sulcos regulares que só podem ter sido feitos mediante polimento mecânico, e a análise do quartzo revelou que se tratava de cristal brasileiro, que nunca foi empregado na Mesoamérica e sim na Alemanha no século XIX”, explica o historiador José Luis Calvo, membro do Círculo Escéptico espanhol.

O mais estranho é que, quando um objeto desses aparece, as pessoas smepre tendem a achar que aquilo é uma “prova” de presença alienígena. O ser humano quer tanto entrar em contato com vidas extraterrestres que simplesmente se recusa a admitir que os povos antigos possam ter segredos que simpelsmente se perderam para nós. E enquanto isso continuamos a “querer acreditar”, como diriam os fãs de Arquivo X.

Veremos mais sobre a história deste artefato na segunda parte deste artigo. Até mais.

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