Archive for Setembro 2008
Galeria de Imagens dos Templários
A partir de agora vou postar algumas galerias com imagens de sociedades secretas retiradas da Internet. Todas são selecionadas da Wikipedia, portanto são de uso livre. Este é mais um recurso que ofereço para esquentar o mercado para o lançamento de SOCIEDADES SECRETAS – O SUBMUNDO. Visite a página clicando no quadro OUTRAS PÁGINAS DESTE SITE, localizado do lado direito. E deixe seu comentário.
Artigo – Códigos e Cifras (Parte 3 de 3)
Termina aqui o artigo publicado originalmente na revista Leituras da História #4 sobre Códigos e Cifras. Para saber mais sobre o assunto fique atento ao lançamento de meu livro CÓDIGOS E CIFRAS – DA ANTIGUIDADE À ERA MODERNA, que será lançado em breve pela Ediota Nova Terra. E continue de olho, pois publicarei aqui mais alguns artigos que já saíram em números anteriores da revista.
Idade Moderna
Entre a queda de Constantinopla e pouco antes da eclosão da Revolução Francesa outras cifras e códigos entraram em cena. Foi nessa época que surgiu um aparato que daria o título de pai da criptologia ocidental a um italiano, Leon Battista Alberti.
Diz a lenda que um dia ele estava passeando nos jardins do Vaticano com seu amigo Leonardo Dato, secretário pontifico, quando começaram a conversar sobre cifras. Dato teria confessado que o Vaticano tinha necessidade de enviar mensagens cifradas e Alberti prometeu ajudar na criação de uma cifra boa o suficiente. Como resultado desta conversa ele escreveu um ensaio em 1467 que daria as bases para uma nova maneira de cifrar.
O ensaio incluía uma explicação de análise de freqüência das letras em italiano e oferecia várias maneiras de resolver cifras. Também descrevia um sistema de encriptação que usava dois discos concêntricos de metal cujas circunferências eram divididas em 24 partes iguais. Os segmentos do disco externo continha as letras do alfabeto em ordem randômica (menos as letras h, k e y, além das letras que não havia no alfabeto latino, como j, u e w) e números de 1 a 4.
Para enviar uma mensagem criptografada, as letras ou números de um texto claro eram lidas no disco externo e substituídas pelas correspondentes à mesma posição no disco interno. A pessoa que enviava e a que recebia deveriam ter o mesmo disco.
Outro nome importante desse período foi Johannes Trithemius, um religioso de origem humilde que desenvolveu o gosto pelas letras desde cedo. Quando completou 15 anos de idade fugiu de casa para estudar em Trier, cidade histórica da Alemanha supostamente fundada pelo primeiro imperador romano, Otávio Augusto, e depois foi para Heidelberg. Nem bem terminara seu noviciado, foi eleito abade. Trithemius tornou-se depois abade do mosteiro de St. Jakob, em Würzburg. Seu interesse em ocultismo provocou muitos comentários maldosos e consternação para aqueles que o seguiam. Sua maior contribuição foi um tratado sobre códigos e cifras, chamado Polygraphia, publicado como uma série de seis livros após sua morte em 1516.
Até hoje se usa a chamada tabela de Trithemius, também chamada de Tabela reta, um quadro onde cada linha substitui a anterior com um deslocamento de um caracter para a esquerda.
A cifra de Vigenère, que usa uma tabela similar, é uma versão simplificada da cifra de substituição polialfabética, inventada por Leone Battista Alberti em 1465. Apesar do nome que recebe, não foi inventada por Blaise de Vigenère, que teria na verdade inventado uma outra cifra, conhecida como Cifra de Autochave. A cifra que leva seu nome foi originalmente descrita por Giovan Batista Belaso em seu livro La cifra del Signore Giovan Batista Belaso, de 1553.
Idade Contemporânea
Por fim chegamos aos nossos dias. Infelizmente o setor que mais tirou proveito dos códigos e cifras foi mesmo o militar, em grande parte graças ao uso por diversas nações durante as Guerras Mundiais.
Quando uma cifra de guerra é “quebrada” pode ter resultados mais devastadores do que qualquer arma utilizada. Afinal de contas, é mesmo necessário o envio de mensagens dos comandantes para seus comandados na linha de frente sem que suas estratégias caiam nas mãos do inimigo. O problema maior é que as cifras tinham que ser o mais invioláveis possível, já que, uma vez “quebrada”, poderia se voltar contra seu criador pelas mãos do mesmo inimigo que a decifrou. Não há como saber se a mesmo cifra utilizada por você e seus homens foi comprometida de alguma maneira.
Na era da informação, como se convencionou chamar os dias de hoje, isso é quase inconcebível, mas temos que lembrar que numa guerra como as que aconteceram no século XX, o ardor da batalha fazia com que as linhas de comunicação muitas vezes caíssem. Mesmo com a tecnologia moderna ainda há o perigo de, uma vez ilhado, o ofensor passe por maus bocados se não receber mensagens de seus superiores. E com certeza ninguém iria parar o que faz para receber um torpedo no celular…
Isso significa que nos últimos conflitos registrados havia duas frentes de batalha: uma com os soldados que enfrentavam o inimigo cara-a-cara e outras, longe dos campos, onde homens e mulheres reuniam-se para decifrar as mensagens interceptadas. Criptologistas e criptoanalistas competiam para ver quem conseguia levar melhor vantagem. Os criadores e os decifradores estavam em batalha no campo mental, em batalhas que, ao contrário das descritas em livros de história, se desenrolavam em segredo máximo e que só foram reveladas anos depois que as guerras acabaram e os códigos decifrados se tornariam irrelevantes.
Pouco antes da I Guerra Mundial houve o telegrama Zimmermann, enviado em 16 de janeiro de 1917 pelo secretário do exterior alemão Arthur Zimmermann para o embaixador alemão no México, Heinrich von Eckhardt, propondo uma aliança entre aqueles países contra os Estados Unidos. O telegrama foi interceptado pelo Room 40, um grupo de criptoanalistas que trabalhavam na sala de mesma identificação em Whitehall, Londres. A mensagem usava um código conhecido como 0075, composto por aproximadamente dez mil frases e palavras individuais. Era necessário a posse de um livro de código para transmitir a mensagem e um outro para decifrá-la. O que os alemães não podiam imaginar era que justamente os britânicos possuíam livros de código capturados que faziam menções a versões anteriores da cifra. Depois surgiu a cifra ADFGX, criada em março de 1918, que substituía cada letra da mensagem normal por uma combinação de duas das letras que dão o nome da cifra.
Na II Guerra Mundial foi a vez dos Estados Unidos criarem o Código Navajo, com nativos daquele povo indígena usando sua complexa língua para transmitir grandes mensagens em pouquíssimo tempo por rádio. Tudo que precisavam era de seu dicionário completo, que cadastrava o uso de 274 palavras (Marinha, por exemplo, era “Na-as-tso-si Wol-la-chee Gah Tkin Nesh-chee Lin Wol-la-chee”). O mundo só conheceu a existência deste Código em 1968, e ainda assim seu conteúdo foi considerado de interesse para a segurança nacional.
As máquinas também começaram a surgir. A mais famosa delas, a alemã Enigma (veja Box) deu muita dor de cabeça para os aliados, já que os alemães a consideravam praticamente inquebrável. Por isso os britânicos construíram um verdadeiro monstro mecânico que os ajudaria a criptoanalisar as mensagens da Enigma. Batizada de Colossus, a máquina comparava dois fluxos de dados e codificava a mensagem em alta velocidade numa fita de papel. Isso porque usava apenas 1500 válvulas eletrônicas, contra 2.400 da segunda versão construída pouco depois. A existência de tais máquinas só se tornou pública na década de 1970.
Daqui para frente as cifras e códigos se tornaram parte integrante do extenso mundo da computação. Porém é sempre necessário lembrar os esforços das diversas pessoas que, ao longo dos anos, desenvolveram e aperfeiçoaram a arte de ocultar mensagens. Por isso tente decifrar uma última mensagem para encerrar este artigo com uma simples cifard e César com três deslocamentos:
D FLIUD PDIV HILFLHQWH H DTXHOD TXH FRQVHJXH RFXOWDU VHXV SHQVDPHQWRV PDLV LQWLPRV
Capa Definitiva do Novo SOCIEDADES SECRETAS – O SUBMUNDO
Eis a capa definitiva do novo Sociedades Secretas. O lançamento, previsto para o mês de outubro de 2008, contará com eventos que serão feitos nas livrarias Martins Fontes e Cultura. Não parece, mas esta capa tem algumas diferenças se comparada com a anteriormente postada. Duvida? Experimente colocar seu olho clínico à prova. Tente identificar quais são as diferenças. E fique de olho aqui, que anunciarei o lançamento deste que é um dos livros mais aguardados do ano!
Sociedades secretas enfocadas neste romance: Illuminati – Maçonaria – Golden Dawn – Tariqa – Shadhiliya – Teosofia – Skull and Bones – Carbonários – Xamânicos – Astrum Argentum – Drusos – Ordo Aurum Solis
Artigo – Códigos e Cifras (Parte 2 de 3)
Continua aqui meu artigo sobre Códigos e Cifras, publicado originalmente na revista Leituras da História #4. Lembro que grande parte das informações aqui contidas estarão disponíveis em meu livro CÓDIGOS E CIFRAS – DA ANTIGUIDADE À ERA MODERNA, a ser lançado pela Editora Nova Terra. Junto com este post segue a capa do futuro lançamento.
Outros Povos
Não foram apenas os egípcios que tinham seus próprios códigos de escrita. Outros povos mostraram ter suas próprias maneiras de redigir seus textos com um sistema próprio. Um dos mais organizados nesse sentido foram os mesopotâmicos. Um tablete de argila, encontrada naquela região e datada de aproximadamente 1500 a.C. no sítio arqueológico de Seleucia, a cerca de 30 quilômetros da moderna Bagdá, no Iraque, trazia uma fórmula criptografada para a fabricação de esmaltes para cerâmica. O tablete da
fórmula tem apenas cerca de 8 x 5 cm e foi achado às margens do rio Tigre. Usava símbolos especiais que podem ter vários significados diferentes. Quem escreveu aquelas instruções usou sinais cuneiformes no lugar de alguns outros, mantendo assim seu segredo a salvo.
Gregos, assírios e babilônicos, todos já usaram de alguma maneira códigos e cifras para ocultarem seus segredos de olhares alheios. Alguns desses códigos terminaram por ficar registrados e se tornaram até motivo de estudo por parte dos historiadores modernos. No tempo dos romanos é que encontraremos um dos mais conhecidos, a famosa Cifra de César, criada por ninguém menos que o próprio general Júlio César (100-44 a.C.).
Em seu livro De Bello Gallico (A Guerra da Gália), suas memórias bélicas, ele nos conta como disfarçou o significado de uma mensagem vital para o caso desta ser capturada.
Durante a campanha da Gália um oficial do exército de César, de nome Cícero, estava cercado e quase se rendendo. César queria que ele soubesse que a ajuda estava a caminho, mas sem que o inimigo se desse conta. Assim ele escreveu o texto em latim, mas trocou os caracteres usados por equivalentes do alfabeto grego. O mensageiro foi instruído para, caso fosse impedido de entrar no acampamento de Cícero, que deveria atirar sua lança para dentro do acampamento com a mensagem atada com uma faixa de couro.
César conta em seu livro: “O gaulês (o mensageiro) se livrou da lança como foi instruído. Por acaso ela ficou afixada numa torre e por dois dias não foi avistada por nossas tropas; no terceiro dia foi avistada por um soldado, retirada e entregue a Cícero. Ele a leu e então apresentou-a para as tropas, trazendo alegria para todos”.
O uso de códigos secretos por César era bem conhecido e documentado pelos escritores antigos. O autor das famosas biografia A Vida dos Doze Césares, Caio Suetônio Tranqüilo, que também observava os costumes sociológicos de sua época, anotou esse hábito do general romano. Afirmou que, se César tinha algo particular para registrar, “se ele tinha qualquer coisa confidencial a dizer, escrevia cifrado, isto é, mudando a ordem das letras do alfabeto, e nenhuma palavra poderia ser compreendida. Se alguém quisesse decifrar a mensagem e entender seu significado, deveria substituir a quarta letra do alfabeto, a saber ‘D’, por ‘A’, e assim por diante com as outras”.
Esteganografia
Quando falamos de métodos de ocultar mensagens lembramos logo de cara da criptografia, a mais conhecida de todas. Porém é importante lembrar que havia um outro método, que se preocupava em ocultar mensagens dentro de mensagens. Este método é conhecido como esteganografia, cujo termo vem do grego e significa “escrita coberta”. Hoje é um ramo ligado à criptologia. Sua principal função não é tornar uma mensagem inteligível, mas sim camuflá-la para ocultar sua presença. Se a criptografia se concentra em esconder o conteúdo da mensagem, a esteganografia esconde a existência da mensagem.
Heródoto, em seu célebre livro As Histórias, foi o primeiro caso confirmado de uso da esteganografia. É lá que é contado o caso de um certo Hístio, um grego do século V a.C., que queria fazer contato com seu superior, um tirano de nome Aristágoras de Mileto. Para isso escolheu um escravo que sabia que lhe seria fiel, raspou a cabeça dele e escreveu em seu couro cabeludo a mensagem. Aguardou que os cabelos crescessem de novo e só então mandou o escravo ao encontro do tal superior.
Na mesma obra há outro relato que vale a pena ser citado. O rei Demaratos queria avisar os espartanos de um ataque que aconteceria a qualquer momento. Para que sua mensagem não fosse interceptada ele utilizou alguns tabletes usados na escrita, retirou a cera que os cobria (ou seja, a superfície onde as mensagens eram escritas), gravou no material que sobrou suas informações e então os cobriu novamente com cera. Assim os tabletes pareceriam aparentemente não usados, mas em seu interior esconderiam a verdadeira mensagem. Esse estratagema foi descoberto por Gorgo, a esposa do mítico rei líder dos 300 de Esparta, Leônidas. Ela leu a mensagem e a repassou imediatamente para os gregos, que venceram os persas.
O uso da esteganografia, entretanto, não se restringe apenas à Grécia. Na antiga China também era costume escrever mensagens sobre a seda fina típica daquele país. Essa seda era transformada numa bolinha que, por sua vez, era recoberta por cera. O problema estava no transporte: a bolinha era engolida por um mensageiro que tinha que correr contra o tempo para chegar ao seu destino, regurgitar a mensagem e entregá-la antes que seu organismo resolvesse digerí-la, o que, com certeza, não deveria ser uma tarefa agradável…
Uma outra idéia que ilustra o procedimento da esteganografia veio de um relato registrado pelo historiador grego Enéias, o Tático. Para enviar uma mensagem secreta ele teve a idéia de fazer pequenos furos em certas letras de um texto que não fosse composto apenas pela mensagem. Para ler a mensagem bastava que o receptor seguisse a ordem dos furos e compusesse a mensagem.
Idade Média
A época conhecida como Idade das Trevas trouxe uma série de restrições para o conhecimento, e a criptografia não escapou desse estranho clima de ignorância e medo. Infelizmente como a maioria do que hoje conhecemos tem origem em tratados e estudos árabes eram tratados como magia negra ou bruxaria pela crescente paranóia cristã.
Nesse ponto o mérito merece ir para os islâmicos, cujos estudos foram decisivos para a evolução da criptoanálise. A palavra cifra, que usamos hoje, é derivada de termos árabes como “Chiffre” e “Ziffer”. Zero também tem uma origem similar e vem do árabe “sifr”, que significa “nulo”.
Quando o Renascimento finalmente acontece na Itália, por volta de 1300, vemos uma grande quantidade de avanços em diversas áreas, incluindo na criptografia. Em 1452 surgiu uma organização em Veneza especializada no assunto, cuja missão era estudar e lidar com cifras e decifrações. Possuía três secretarias que trabalhavam em conjunto para decifrar e quebrar os códigos utilizados pelo governo daquela cidade.
Pouco se sabe sobre aquela época, mas alguns feitos podem ser discernidos. Por exemplo, foi entre os anos 718 e 786 d.C. que surgiu o livro Kitab al Mu’amma (O livro das mensagens criptográficas), do árabe al-Khalil, sobre criptografia, em grego. A obra, que foi perdida, foi escrita originalmente para o Imperador Bizantino e seu autor ficou famoso por decifrar um criptograma bizantino antigo cuja solução baseava-se no início do texto original, que ele supôs corretamente como sendo “Em nome de Deus”. Outro fato interessante foi o uso da chamada Cifra Templária, usado por não outros senão a famosa ordem militar-religiosa conhecida como os Cavaleiros Templários entre 1119 e 1311. Suas cartas de crédito tinham um método próprio de cifragem, extraído da cruz chamada “das oito beatitudes” e que constituía o emblema da ordem.
Por fim resta citar mais dois exemplos. O primeiro é o de Roger Bacon, frade franciscano inglês, que desenvolveu nada menos que sete métodos de cifras diferentes. O segundo é mais um livro islâmico, de autoria de Ibn Ad-Duraihim, chamado Miftah al-Kunuz fi Idah al-Marmuz (Chaves para a elucidação de mensagens secretas) que contém uma classificação das cifras, análises de frequência em várias línguas, tabelas e grades de transposição.
VEM AÍ: Sociedades Secretas – O Submundo
Quatro anos se passaram desde os eventos descritos em SOCIEDADES SECRETAS. A vida parece ter seguido seu curso normal. Até que um assassino serial ataca alguns representantes de sociedades secretas, o que faz com que Angela resurja. Juntamente com ela a misteriosa figura do irmão gêmeo de Gabriel, Rafael. E os boato de um misterioso conclave no que é cnhecido como O SUBMUNDO das sociedades secretas deverá escolher o hierofante – aquele que liderará todas as sociedades secretas em momentos de crise.Aguarde a continuação de um dos livros mais comentados de todos os tempos! Maiores novidades serão postadas nesta e em outras comunidades.
Artigo – Códigos e Cifras (Parte 1 de 3)
O artigo a seguir possui informações que serão apresentadas ao público em meu livro sobre Códigos e Cifras, que sairá em breve pela Editora Nova Terra. Saiu originalmente na revista Leituras da História #4. A seguir um trecho do artigo.
Em plena era digital é impossível vivermos sem códigos e cifras. Tudo nas nossas vidas modernas, dos cartões magnéticos que utilizamos no banco até o Internet Bank utiliza métodos avançados para disfarçar informações para que não sejam interceptadas por pessoas com más intenções.
O que poucas pessoas conseguem enxergar é o fato do hábito de cifrar mensagens ser mais antigo do que se supunha. Por exemplo, os códigos e cifras são utilizados desde as civilizações mais antigas, sempre com a intenção de ocultar dados e textos. A necessidade de dificultar o acesso às informações e montar um esquema no qual poucas pessoas possuem o conhecimento necessário para ler a verdadeira mensagem motivou o ser humano a criar as chamadas cifras, que são usadas até hoje nos sistemas informatizados.
É necessário deixar clara a diferença entre um código e uma cifra. O código permite que palavras inteiras sejam substituídas por outras de significado desconhecido. Já as cifras se preocupam com os fonemas, as letras e até com a ausência de sinais, espaços e até pontuação. Um código, por exemplo, pode conter algum tipo de cifra para dificultar sua “decifração”, mas uma cifra dificilmente conterá um código.
Os profissionais que se dedicam ao estudo dos códigos e cifras são chamados de criptógrafos, os que estudam a ciência da criptografia (a transformação do texto original ou limpo em texto cifrado). Os que se dedicam à decifração, ou seja, à quebra dos códigos são chamados de criptoanalistas, que estudam a chamada criptoanálise. Por fim, a criptologia é a ciência que engloba tanto a criptografia quanto a criptoanálise. O prefixo cripto vem do grego kryptós, que significa “escondido”.
Decifrando o Passado
Foi porém com a história e a arqueologia em particular que a criptologia encontrou seu campo mais promissor. Ao investigar civilizações do passado e suas línguas há muito tempo mortas que os criptólogos aprenderam as utilidades de tais artifícios. Um exemplo de código muito conhecido do grande público é a decifração dos famosos hieróglifos do Antigo Egito. Era uma linguagem que poucos cidadãos conheciam e que, mesmo assim, carregava um ar místico para os lugares onde era esculpida.
Para explicar o processo vamos lembrar no que consistia a linguagem do Antigo Egito. O termo é uma junção de duas palavras gregas, hieros (sagrado) e glyphós (escrita). Era usada apenas por sacerdotes, membros da realeza, funcionários que ocupavam altos cargos e, claro, os escribas, que deveriam saber a utilização daqueles sinais como parte de suas profissões.
Os hieróglifos são considerados pela maioria dos historiadores como a mais antiga forma de escrita no mundo. Com o tempo evoluiu para outras formas mais simplificadas, como o hierático (uma forma que podia ser pintada sem muitos detalhes nos desenhos em papiros e placas de barro) e mais tarde ainda para o demótico, como o utilizado na Pedra de Rosetta.
Apesar de ser um “código” sagrado foi usado durante 3.500 anos e era esculpido nas paredes dos templos e túmulos. Possuía por volta de 6900 sinais e é considerado pelos egiptólogos uma língua difícil de ser lida, o que pode ter contribuído para seu desaparecimento.
Esse esquecimento da antiga linguagem aconteceu devido a vários fatores, entre eles a invasão que o Egito sofreu de vários povos ao longo de sua história. Mas os fatores decisivos foram mesmo a introdução das línguas grega e romana, que eram mais fáceis de serem aprendidas, bem como a conquista do país por esses impérios. Os egípcios adotaram muitos de seus costumes, como pode inclusive ser observado nas múmias desses períodos, que pouco ou quase nada mantém de semelhante com seus costumes antigos.
Pelo fato de ser uma escrita “sagrada” os hieróglifos também foram vítimas dos preconceitos dos primeiros cristãos, que fizeram de tudo para que esse Código se perdesse a partir do século V Antes de Cristo. Para eles, o que se relacionava com aquela escrita era pagão e, assim, proibido. Os hieróglifos eram vistos como nada mais eram do que uma maneira decorativa dos templos.
Quando no começo do século XVIII a Europa começou a receber vários objetos de arte egípcios, muitos deles vindos de escavações realizadas em Mênfis, a antiga capital dos períodos conhecidos como Antigo e Médio Impérios, a curiosidade pela maneira como aqueles símbolos eram usados cresceu exponencialmente. Os eruditos daquela época logo se sentiram na obrigação de obter de volta a chave para extrair as informações daqueles pequenos objetos. O problema maior era que, com a proibição cristã de mexer com qualquer coisa que fosse pagã, esse conhecimento caiu no total esquecimento.
Por muito tempo acreditou-se que os hieróglifos só eram compreendidos pelos iniciados religiosos e que continha apenas mensagens misteriosas dirigidas a uma classe privilegiada que falavam apenas de doutrinas ocultas e filosofia. Assim, aquele código não poderia mesmo se revelar aos estudiosos e uma corrente contrária à idéia da superstição e do mistério começou a surgir.
O fato de que outras tentativas, todas ocorridas na segunda metade do século XVIII, não terem sido bem sucedidas só tornaram o feito de Champollion ainda mais notável. Como não eram obtidos resultados satisfatórios o estudo dos hieróglifos e suas tentativas de decifração caíram em descrédito e ninguém chegava a consenso. Os símbolos, para uns, eram relativos a fatos astronômicos, quanto outros afirmavam que retratavam trabalhos nos campos e que cada divindade egípcia representava uma das épocas agrícolas. Alguns queriam provar uma relação entre egípcios e chineses e que os hieróglifos originaram a escrita pictográfica chinesa. A explicação mais excêntrica chegou a afirmar que os hieróglifos não eram sinais fonéticos nem nada do gênero, mas apenas sinais decorativos estéticos.
Quando a Pedra de Rosetta foi finalmente encontrada, em agosto de 1799 por um oficial das tropas francesas chamado Bouchard nas proximidades da cidade de Rosetta (em árabe, Rachid), próximo à margem oeste do Nilo, o acontecimento chamou a atenção do mundo inteiro. Era praticamente a primeira vez que se falava na existência de uma peça do Antigo Egito que era bilíngüe.

