Archive for Outubro 24th, 2008
Novidade- Galeria de Vídeos de Sociedades Secretas
Todo mundo me pede para refazer a galeria de vídeos que eu tinha em meu ex-blog dedicado ao esoterismo, o Olho de Hórus. Com a grande quantidade de eventos para promover o livro SOCIEDADES SECRETAS – O SUBMUNDO no mês de novembro, achei que seria de bom grado montar essa página.
Procure o link da galeria no cabeçalho. Vale lembrar que todos os vídeos são do Youtube, mas é sempre bom ter uma indicação. Por isso aproveitem e boa diversão.
Só para lembrar: os eventos do SOCIEDADES SECRETAS – O SUBMUNDO estão a seguir. Reserve as datas em suas agendas.
07/11 – Sessão de autógrafos “Sociedades Secretas – O Submundo” -19hs – Livraria Martins Fontes com o Autor Sérgio Pereira Couto
08/11 – Lançamento Oficial “Sociedades Secretas – O Submundo” – 19hs – Casa das Rosas com o Autor Sérgio Pereira Couto, OPELF, Venda de Livros e Promoção do Box “Sociedades Secretas” com os volumes I e II
12/11 – Mesa Redonda sobre Teoria da Conspiração – 20hs – Casa das Rosas – Evento de destaque na casa das Rosas durante a ‘Mostra de Curtas Fantásticos’, de 11 a 16 de novembro.
13/11 – Divulgação e Performance “Sociedades Secretas – O Submundo” – 19hs – Livraria Cultura com o Autor Sérgio Pereira Couto e OPELF
19/11 – Workshop sobre Sociedades Secretas na Livraria Cultura da Avenida Paulista. Participações de membros de ordens como as ligadas a Aleister Crowley, Ordo Fraters Lucis, Xamanismo, Druidismo, Maçonaria e uma sociedade secreta inédita. Debate conduzido pelo jornalista e escritor Sérgio Pereira Couto. A partir das 19 horas.
Maiores informações no BLOG da TUDOTECA (http://literalmente.tudoteca.com.br) e no site da OPELF (www.opelf.org).
Artigo – O Enigma de Minos (Parte 2 de 2)
Continua e termina por aqui o artigo publicado originalmente na revista LEITURAS DA HISTÓRIA 8. Continuamos a viajar pelas origens mágicas de um dos mais antigos símbolos da humanidade. Boa leitura!
Base de Análises
O mito cretense é a base das análises dos especialistas sobre labirintos e as conclusões tiradas são as mais variadas possíveis. Claro que ninguém acreditaria na existência de um minotauro, mas já foi dito que tal criatura nada mais era do que um sacerdote minóico que, assim como os maias e astecas, fazia sacrifícios humanos dentro do palácio de Cnossos.
O símbolo, apesar de recorrente em vários lugares do mundo, é único de seu gênero e teve mais interpretações do que se esperaria. Por exemplo, o poeta e classicista Robert Graves (autor do romance Eu, Cláudio), embora seja um nome que não é bem visto pelos acadêmicos, acreditava piamente que a verdadeira origem do labirinto era um mosaico no piso que havia na frente do palácio de Cnossos. Para ele, era “um piso que possuía um padrão de Dédalo usado para guiar dançarinos numa dança da primavera erótica”. A inspiração para aquele desenho seria as armadilhas ocultas usadas na captura de perdizes, pássaros que realizam uma “dança do amor pesada e estática, similar à de outras aves do mesmo porte”. Se seguirmos esse raciocínio, neste tipo de dança aparentemente o prêmio esperaria por quem o caminho ao centro.
Há outros autores que discutem o assunto em suas obras, como o poeta latino Ovídio, que em sua obra, Metamorfoses, conta que Dédalo, o arquiteto, resgatou o corpo de Ìcaro após a queda deste e que enterrou “enquanto uma perdiz barulhenta de um lamaçal olhava a cena e batia as asas em aprovação”. Essa é uma referência ao sobrinho que o arquiteto havia matado em Atenas, a razão principal para que ele tenha se exilado na corte de Minos. Dédalo teria ficado com um certo ciúme do filho de sua irmã, que era seu aprendiz, porque iria se tornar mais criativo que o tio. A inveja começou a tomar forma quando o sobrinho criou um compasso para desenhar círculos e ainda contou vantagem sobre como se inspirou nos ossos afiados de um esqueleto de peixe para inventar a serra. Essa foi a gota d´água para Dédalo, que já afirmara em diversas ocasiões que o inventor de tal ferramenta havia sido ele. Como resultado o arquiteto atirou o sobrinho do alto de um templo. Embora ele tenha tentado esconder o corpo os deuses tiveram pena do sobrinho e transformaram sua alma numa perdiz. Assim, com esse detalhe em mente, é fácil pensar que Ovídio usou a figura da perdiz apenas como um artifício literário para dizer que a alma do injustiçado tinha, finalmente, alcançado sua vingança.
O Jogo de Tróia
O mais interessante sobre a origem do labirinto está numa jarra etrusca que retrata o que parece ser uma espécie de jogo que envolve participantes da lendária Tróia. As aventuras do mítico príncipe Enéias, depois da queda de Tróia, estão narradas na Eneida, de Virgílio. E é esse livro que dá uma pista interessante.
No livro V, depois de fugir de Cartago e dos braços da rainha Dido, Enéias e sua pequena frota de navios são tirados do curso e vão parar próximos ao Monte Erice, na Sicília, localizado na costa noroeste daquela ilha. Outros refugiados de Tróia haviam chegado àquelas terras e se estabelecido por lá. É quando Enéias resolve comemorar a morte de seu pai com um dia inteiro de jogos fúnebres que incluem corridas de barco, a pé, lutas de boxe e competições de arco e flecha. Vários prêmios são a recompensa dos participantes, que variam de armaduras a uma mulher escrava que amamenta gêmeos (talvez uma referência discreta a Rômulo e Remo, fundadores de Roma).
Porém há uma última prova onde nenhum prêmio é mencionado. No último dia do evento há o chamado Lusus Troiae, no qual os competidores são adolescentes e filhos dos aristocratas troianos. Esse é o chamado Jogo de Tróia, que combina elementos de jogos de guerra e adestramento com acrobacias em esportes como montaria e pólo. O elemento de ligação é o campo do jogo, marcado com as passagens do formato clássico do labirinto.
Todos os pesquisadores de labirintos comentam, em seus trabalhos publicados no exterior, que é realmente uma pena que Virgílio não tenha registrado mais detalhes sobre como o jogo se desenrola. Todos partem do princípio que o poeta, da mesma maneira como os escritores esportivos de hoje não perdem tempo explicando como se joga futebol e partem do princípio de que quem lê conhece as regras, assim o fez o autor da epopéia. Pouco se conhece sobre como se desenrola tal jogo cerimonial, que só era executado em duas ocasiões: para celebrar a morte de alguém ou a fundação de uma cidade. O pouco que se sabe sobre sua execução dá conta de que era jogado com três times, todos montados em cavalos. Cada time consistia numa coluna de seis pares de rapazes liderados por um comandante e acompanhados por um treinador adulto, provavelmente um instrutor ou um treinador. Cada participante carregava duas lanças de madeira com ponta de ferro, com algumas tiras trançadas de ouro ao redor dos pescoços. Os três grupos circulavam o campo até ouvirem o sinal dado por um estalo de chicote e então se dividiam numa série de ataques e contra-ataques. O trajeto dos jogadores no campo seria a inspiração para o desenho do labirinto.
Para o pesquisador alemão Hermann Kern, esse jogo era “uma espécie de jogo debutante para rapazes em cavalos”. Seria, na verdade, um ritual e uma demonstração de competência física. Embora as pistas deixadas nos escritos de Virgílio não falem especificamente sobre o formato labiríntico do campo, um historiador natural latino, Plínio o Velho, dá uma pequena contribuição à investigação deste mistério em sua obra escrita. É que retrata um misterioso jarro etrusco conhecido como Tragliatella, que mostra inclusive um labirinto com sete voltas.
Outras Imagens Romanas
Porém não foi apenas na literatura que os romanos antigos estabeleceram um elo de ligação com o símbolo do labirinto. Há imagens elaboradas de tal símbolo em pisos de mosaico encontrados em diversas localizações do antigo império. O que mais chama a atenção é que eles também são uma prova de que os antigos moradores daquelas casas levavam o labirinto muito a sério e que tal imagem era intimamente ligada à sua civilização. Entre o século II a.C. e V d.C. esses pisos (e algumas vezes também paredes) foram construídos em casas, prédios públicos, banhos e até mesmo em túmulos. Era uma forma de arte calculada para demonstrar aos visitantes a fortuna do dono da propriedade.
Esses desenhos eram compostos de pequenos cubos chamados tessetae e feitos de vidro, pedra, argila ou cerâmica, colocadas de maneira a formar padrões geométricos ou mesmo desenhos concretos. Havia também uma forma considerada mais econômica, feita com pedaços de materiais diversos, bem como trabalhos em vidro que seriam considerados os precursores dos grandes vitrais medievais. Por vezes, especialmente em solo italiano, o piso era feito em tons preto e branco, mas na maioria das vezes era composto por cores em grande variedade.
Há um catálogo com centenas de pisos romanos antigos sobreviventes, publicado na década de 1970, que indica que 54 deles, incluindo dois encontrados em Pompéia, tinham design de labirintos. Curiosamente, embora o piso mosaico romano tenha sua origem na Grécia e o romanos tenham empregado freqüentemente artesãos daquele país, pisos de labirintos gregos são muito raros e tal decoração é mesmo uma característica romana.
Os gregos, entretanto, fizeram um grande uso do padrão labiríntico para decorar edifícios e peças de cerâmica. O padrão, que em inglês é conhecido como meander (que significa serpentear), é cheio de repentinas voltas para o lado direito que os romanos reuniram em novos desenhos para construírem um labirinto típico de sua civilização. No labirinto romano há apenas um caminho para o centro, com absolutamente nenhuma outra escolha no caminho. O desenho clássico cretense estava definitivamente fora de moda.
Os mosaicos romanos podem se apresentar em formatos redondos, mas a maioria é mesmo quadrada, e todos são divididos em quatro quadrantes idênticos. O caminho para o centro explora cada um desses quadrantes antes de passar para o próximo, sem apresentar nenhuma volta.
Mas não foi essa a única maneira pela qual os artistas romanos urbanizaram o labirinto: ao redor de cada labirinto de mosaico há uma representação das muralhas de uma cidade completa, com torres de vigia e portões fortificados. Enquanto o labirinto em si é representado de maneira a não representar profundidade ou uma terceira dimensão, as muralhas de proteção são representadas de uma maneira que mostram exatamente esse tipo de efeito. Sabemos que não há nada do gênero descrito no mito cretense, mas o que importa é a ligação estabelecida entre o labirinto como símbolo e as características que o tornam uma imagem amalgamada de Tróia e da própria cidade de Roma.
Um dos maiores e mais bem preservados labirintos romanos está numa villa datada do século III a.C. próxima à cidade de Salsburgo, na Áustria. Suas bordas assumem dimensões de 18 pés (5,48 metros) de comprimento por 21 pés (6,40 metros) de altura. No centro podemos ver Teseu prestes a desferir o golpe fatal no Minotauro. À esquerda, pouco além do labirinto, há uma cena em que Ariadne dá a bola de lã para o herói, enquanto à direita vemos a filha de Minos sentada sozinha, de pernas cruzadas, seu queixo encostado no pé direito (nesta cena há uma dupla interpretação: pode ser que ela esteja esperando Teseu sair do labirinto ou que já tenha sido abandonada por ele na ilha de Naxos). No topo um desenho que representa a fuga do casal que vai para o navio que rima para Atenas.
Ao redor desse labirinto há um desenho de tijolos e pedras que o circunda. Sua única abertura é um arco que leva ao começo e se localiza próximo da pensativa Ariadne. Seu fio corre por todo o local, marcando treze voltas até o centro.
Essa tendência de ter um fio condutor não é própria de todos os mosaicos romanos. A entrada de um outro mosaico, localizado numa tumba romana em Hasdrumentum (hoje identificada como a moderna cidade de Sousse, na costa leste da Tunísia) mostra portas duplas que levam ao seu interior. Como a obra adorna um túmulo, as portas estão fechadas e dá para se ler uma inscrição que diz Hicinclusus Vitampert (ele que está trancado aqui irá morrer), uma definição do habitante mais famoso do mito, o Minotauro. Uma representação do monstro morto está no centro e do lado de fora vemos um grupo de navios fugindo. No canto inferior direito do pavimento há um círculo, ou melhor, dois, um dentro do outro que podem representar tanto a perfeição, a eternidade ou mesmo o novelo de Ariadne.
Porém o monstro de Minos não é um assunto predominante nos labirintos antigos. Em Óstia, o porto de Roma, há um labirinto cujo centro é decorado com a figura não do Minotauro ou de Teseu, mas sim com a do farol local. Em Pompéia possuía um pavimento, hoje já perdido, que mostrava um capacete militar no centro do labirinto lá retratado. Um outro exemplar, desenterrado em Yorkshire, na Inglaterra, mostrava uma flor com quatro pétalas como objetivo em seu centro.
Por mais bonitos que sejam na hora de serem descritos, esses desenhos de labirintos romanos jamais passaram desse ponto. Não há qualquer menção nos livros consultados para este trabalho sobre um modelo em escala real, todos são apenas artifícios visuais de decoração. E novamente o especialista Hermann Kern aponta em seu livro que a maioria desses desenhos possui leves defeitos, provavelmente fruto de erros não intencionais que impede o observador de encontrar o centro com o olho ou seguindo com o dedo. Isto, segundo Kern, pode ser um sinal de que os romanos, diferente dos cretenses, não consideravam o labirinto como algo sagrado ou mesmo viam o ato de percorrê-lo uma oportunidade de filosofar sobre a vida ou algo assim. Uma das arqueólogas que já trabalharam em Pompéia, a norte-americana Bernice Kurchin, sugere em artigos próprios que “não era da natureza romana se interessar pelo movimento em busca do centro das coisas. Eles eram cidadãos (a menos, claro, que fossem escravos ou mulheres) de um império em constante expansão. Seu instinto era ir em frente de uma maneira que se afastasse do centro, como a própria cidade de Roma fazia”.
O Labirinto Egípcio
Entre um labirinto e um Dédalo não é fácil explicar quando alguém apresenta um desenho que não se encaixa nem numa nem noutra definição, mas ainda assim é considerado como um labirinto. Esse é o caso de um relato registrado pelo historiador grego Heródoto que descreve um labirinto no Egito. Trata-se de um monumento fúnebre construído pelo maior rei da Décima Segunda Dinastia, Amenemhat III, o sexto desta família que governou o país entre 1860 e 1814 a.C. É considerado pelos egiptólogos um dos soberanos mais importantes do Médio Império (2000 – 1700 a.C.).
Era o filho mais velho de Sesóstris III, que o tornou co-regente quando ainda era vivo. De acordo com o historiador e sacerdote egípcio Maneton, que viveu durante a época ptolomaica, Amenemhat III governou por apenas oito anos, mas é um ponto polêmico, já que há vários monumentos que eu mandou construir e cuja existência contradizem essa idéia. O mais provável seria que seu reinado, como estabelecido pela mais famosa lista de reis, chamada de Cânone de Turim, tenha durado cerca de 45 anos.
Como é comum nesse tipo de estudo, pouco se sabe sobre o reinado desse faraó. O que os estudiosos dizem é que se tratou de um período pacífico, onde o rei se dedicou mais ao desenvolvimento econômico do país do que a conquistas. Nesse período foram explorados os recursos minerais do monte Sinai, como comprova a existência de cerca de 60 inscrições de seu reinado encontradas naquela região. As pedreiras da região do Uadi Hammamat, a leste do vale do Nilo, também foram intensamente exploradas. Também foi sob o reinado de Amenemhat III que foram concluídos trabalhos de construção de barragens e canais com o objetivo de valorizar o Oásis de Faium como região agrícola.
Ele ordenou a construção de uma pirâmide no complexo funerário de Dashur, próxima à antiga cidade de Mênfis, a atual Cairo. Seu monumento é conhecido como a Pirâmide Negra, que apresentou problemas durante sua construção e terminou pro ser abandonada pelo rei. Foi sepultado em Hauara, não muito longe da antiga Crocodilópolis (hoje El Faiyûm), a sudoeste de Mênfis. É lá que Heródoto localiza a existência de um complexo, hoje em ruínas, onde havia um palácio real de grandes dimensões, com mais de três mil quartos, numa descrição que lembra bastante a do Palácio de Cnossos, em Creta. Foi este estranho complexo que foi apelidado de Labirinto Egípcio.
Essa estrutura única, que já foi considerada ainda mais espetacular que as pirâmides de Gisé, era baseada numa área que media 305 por 244 metros. Fora algumas colunas que insistem em ainda estar em pé, pouco mais restou dessa construção. Assim tudo o que sabemos vem dos relatos históricos, entre eles o de Heródoto, e dos achados resultantes da escavação realizada em 1888 pelo egiptólogo Flinders Petrie, famoso por seu trabalho em outros sítios arqueológicos como Amarna e Abydos.
De acordo com Heródoto, que afirma ter visto a construção em seu auge, o labirinto era uma vasta estrutura nas margens de um grande lago localizado a sete dias de jornada a partir das Pirâmides de Gisé. O edifício, que aparentemente era um templo funerário, era dividido em 12 grandes pátios e suas paredes eram cobertas de esculturas. Havia também uma grande pirâmide decorada com figuras colossais que era conectada ao templo por uma passagem subterrânea. Heródoto enfatiza o tempo todo que a construção é uma “maravilha” (da palavra grega thaumata) que “eclipsava as Pirâmides”.
Outro relato que dá conta de que tal labirinto existiu mesmo foi o do geógrafo grego Strabo durante o século I d.C. Segundo ele o local era “um grande palácio composto por muitos palácios”, o que representava a maneira com a qual se mostrou maravilhado com sua enormidade. Ele conta ainda que haviam vários pátios, cada um com uma entrada própria, mas que “na frente dessas entradas há criptas, que são longas e numerosas e que tem passagens cheias de curvas que se comunicam umas com as outras, para que nenhum estranho possa encontrar seu caminho por qualquer pátio ou sair de lá sem um guia”.
Heródoto acrescenta que os níveis inferiores do Labirinto, cuja entrada foi vetada a ele, continham os “sepulcros dos reis” que o construíram, bem como os locais de repouso dos crocodilos sagrados, o que torna o relato mais confiável, já que bate com o hábito conhecido dos egípcios em enterrar os bois sagrados Ápis em locais semelhantes.
As poucas pistas que chegaram a nós por esses relatos dão conta de que o tal Labirinto tinha vários propósitos para os egípcios. Sabemos que era o templo mortuário de Amenemhat III, onde eram feitas oferendas diárias ao espírito do faraó, que garantiam sua prosperidade no além. O local também teria funcionado como centro cultural e local de encontro para os governantes dos nomos. Pode ter servido também como palácio e centro administrativo. Curiosamente a tal pirâmide descrita contém seu próprio Dédalo gravado na pedra, que tinha por função guardar a múmia do faraó dos ladrões de túmulos.
No tempo de Heródoto o complexo já tinha cerca de 1300 anos de idade e já se apresentava em estado de ruínas. Muitos historiadores e arqueólogos que estudaram o local afirmam que se tratava de uma vasta coleção de prédios, altares, passagens e pátios, alguns já em mau estado de conservação, alguns ainda inteiros.
A descrição desse layout ganharia fama entre os tempos romanos e faria com que o Labirinto Egípcio ganhasse fama como um dos mais famosos da Antiguidade. A quantidade certa de salas e cômodos é questão de discussão. Para Hermann Kern, por exemplo, o total citado por Heródoto de três mil cômodos, divididos igualmente em câmaras superiores e inferiores, não deve ser levado a sério. E o pesquisador refuta que isso acontece porque “por mais que seja uma referência à idéia egípcia de que a alma vaga por cerca de três mil anos, essa seria uma noção que não seria registrada sem uma certa influência grega”.
Porém nem mesmo o labirinto foi páreo para a passagem do tempo, que parece não afetar por completo apenas as Pirâmides de Gisé. O complexo caiu em ruínas numa data desconhecida, provavelmente antes da chegada dos romanos, já que quando estes já estavam com o Egito sob seu domínio, já era um local daqueado. Suas pedras, todas de fino corte, foram adornar casas de uma pequena vila próxima do local. Quando Petrie escavou por lá encontrou nada além de um vasto campo de pedras quebradas e lascadas com cerca de 1,82 metro de profundidade. Ele escreveu algum tempo depois que “numa imensa área de dezenas de acres” encontrou evidências de um grande prédio. Ele só pôde supor que essa estrutura media cerca de 1000 pés (304,8 metros) por 800 pés (243,84 metros). Resumiu seu achado numa frase sucinta: “De tais restos espalhados é difícil estabelecer algo”.
Não muito tempo depois do arqueólogo ter escrito isto a maioria das pedras encontradas foram levadas para serem usadas de leito para trilhos de trens. Com isto quase nada restou do fabuloso local e portanto os atuais arqueólogos não podem mais confirmar as anotações de Petrie.Assim ele, Heródoto e Strabo são as únicas testemunhas oculares da magnificência deste antigo labirinto que, um dia, foi mais admirado que a Grande Pirâmide.


