Archive for Dezembro 2008
Artigo – Crimes Insolúveis (Parte 2 de 2)

Descrição do assassino do Zodíaco
Finalmente arrumei tempo para postar a segunda parte do meu artigo sobre Crimes Insolúveis, originalmente publicado na revista Leituras da História número 6. O texto fala sobre os grandes crimes sem solução da história e, acreditem se quiser, tem alguns bem cabeludos. Desta vez são enfocados os casos conhecidos como Jack The Stripper (o nome não é nenhuma piada, pois os crimes foram considerados cruéis demais) e, claro, o caso do Zodíaco, que virou filme. Por fim termino com outro caso que virou filme, o da Dália Negra. Boa leitura.
Jack The Stripper (Londres, 1964 a 1965)
Não se deixe levar pelo nome do caso. Não se trata de nenhuma paródia sobre o Estripador ou algo do gênero, mas sim um caso que assombrou Londres durante o final da primeira metade da década de 1960. A repercussão foi um tanto abafada pela avalanche de coisas que aconteceram quase ao mesmo tempo nos Estados Unidos, mas o caso ficou tão estranho e sem sentido quanto o caso original.
Jack o Stripper (nome dado às garotas de programas que dançam em boates) foi o codinome dado a outro assassino em ´serie que atacou entre 1964 e 1965. O caso também ficou conhecido como os Assassinatos de Hammersmith, um centro urbano na zona oeste de Londres.
E por que o nome de Jack? Bem, a ligação com os crimes do Estipador torna-se óbvia quando analisamos os detalhes do caso. Foram oficialmente seis prostitutas oficiais (oito na versão alternativa) que foram as vítimas do maníaco. Seus corpos nus foram descobertos em várias localidades da cidade ou no próprio rio Tamisa.
As vítimas oficiais foram reconhecidas como Hannah Tailford, Irene Lockwood, Helene Barthelemy, Mary Flemming, Margaret McGowan e Bridget “Bridie” O’Hara, todas encontradas em condições similares. Os fãs de Alfred Hitchcock devem reconhecer as similaridades do caso que foram exploradas pelo mestre do suspense em seu filme Frenesi, de 1972.
Eis as condições das vítimas: todas foram mortas por asfixia, encontradas nuas, exceto por suas meias. Os corpos foram preservados próximos a fontes intensas de calor e havia pintas de pinta em quatro delas. Acredita-se que as mortes foram provocadas usando uma atadura retirada das roupas das vítimas, algo que leva a crer que as vítimas se sufocaram quando estavam expostas às partes íntimas do assassino. Hoje se sabe que esse último detalhe já faz parte de uma série de boatos que alimentaram o mito do “stripper”.
Há dois casos, entretanto, que levantam alguma dúvida, os das prostitutas Elizabeth Figg e Gwyneth Rees, que foram estranguladas manualmente. Porém ambas foram encontradas nuas, usando apenas as meias e com as peças íntimas alojadas nas gargantas.
Há alguns boatos que circulam até hoje de que o Superintendente do caso, John Du Rose, da Scotland Yard, responsável pelo caso, foi de alguma forma o responsável pelos crimes terem parado. Depois de entrevistar cerca de sete mil suspeitos ele anunciou numa coletiva que a policia britânica tinha naquele momento cerca de 20 suspeitos. Depois de um tempo, ele anunciou novamente que havia reduzido o número para apenas 10 suspeitos e, por fim, três. O assassino não atacou novamente depois da coletiva inicial.
Pesquisador do caso, o escritor britânico Anthony Summers afirma que duas das vítimas, Hannah Tailford e Frances Brown, a terceira e a sétima pela ordem, eram ligadas a um outro caso, o do Profumo, ocorrido em 1963 no Reino Unido, onde o então Secretário de Estado para a Guerra, John Profumo, teve uma relação com uma garota de programa chamada Christine Keeler e mentiu sobre o assunto quando foi interrogado na Câmara dos Comuns. O escândalo fez com que Profumo abdicasse do cargo e manchou profundamente a reputação do governo do primeiro-ministro Harold MacMillan. Também contou o fato de que algumas das vítimas eram conhecidas no meio do cinema pornográfico. Vários outros pesquisadores afirmam que as vítimas conheciam umas às outras, o que levou á especulação de que o assassino também seria do mesmo meio.
Da mesma maneira que no caso do Estripador, os crimes do Stripper cessaram por si mesmos, e havia pouquíssimas pistas possíveis de serem investigadas. Embora sua identidade ainda seja desconhecida, há quem faça o mesmo que Patricia Cornwell e se lance em pesquisas para levantar suas próprias teorias. O escritor britânico Donald Rumbelow, também ripperologista, afirma que o Stripper pode ter sido um jovem que cometeu suicídio na parte sul de Londres. Esse suspeito, um dos favoritos de Du Rose, era um guarda de segurança num edifício de uma grande companhia que tinha uma loja de tinta onde acredita-se que um dos corpos foi oculto após o crime. Embora nunca tenha havido nenhuma evidência sólida que o ligasse aos crimes, sua família não encontrou explicação para seu suicídio. Na nota que ele deixou uma mensagem misteriosa: “não sou capaz de agüentar mais a pressão”.
Também há a possibilidade do suicídio deste suspeito ser apenas uma maneira de distrair a atenção do verdadeiro assassino. Da mesma maneira que no caso do Estripador, com o principal suspeito morto e o fato das mortes terem cessado, fazia sentido presumir que se tratava da mesma pessoa, o que fez com que a polícia encerrasse suas investigações.
Mesmo assim, ainda hoje surgem novas suspeitas. Um livro lançado recentemente sobre o caso acusa o campeão de peso pesado Freddie Mills como sendo o Stripper, embora não haja provas condenatórias que comprovem. E assim a Scotland Yard segue com a reputação manchada por dois casos que se recusam a revelar seus segredos.
Zodíaco (norte da Califórnia, Estados Unidos, 1968 a 1969)
O filme Zodíaco, de David Fincher, trouxe de volta a história de um assassino em série que atacou nos Estados Unidos no final da década de 1960. Suas vítimas (sete oficiais, 37 não-oficiais) possuem pouca ou nenhuma conexão entre si. Não há motivo aparente para ter atacado, além de vários suspeitos sendo que nenhum foi confirmado.
Da mesma maneira que o Estripador, ele mandava cartas para a mídia avisando de seus crimes e provocando as autoridades. Uma dessas cartas, talvez a mais famosa, mostrava uma cifra em três partes, que fora enviada a três jornais: o San Francisco Chronicle, o Vallejo Times-Herald e o San Francisco Examiner. Nessa cifra ele supostamente iria explicar os motivos para seus crimes.
O caso do Zodíaco começou oficialmente quando David Arthur Faraday, de 17 anos, estudante e atleta, saiu num encontro com Betty Lou Jensen, de 16 anos, no dia 20 de setembro de 1968. David pegou Betty Lou com uma caminhonete Rambler 61 na casa da mãe dela e saíram. Após passarem na casa de um amigo o casal dirigiu-se para a estrada do lago Herman, um local muito usados por casais para namorar. Eram mais de 9 horas da noite.
Por volta das 11:15 os corpos dos dois foram encontrados. A porta do carona aberta, David caído de costas numa poça de sangue e Betty Lou a alguns metros da parte traseira, morta com um tiro nas costas.
Uma trilha de sangue levava ao local do corpo de Betty Lou. Ela fora baleada cinco vezes nas costas, todas agrupadas no lado esquerdo. David recebera um tiro na cabeça à queima-roupa na parte de trás de sua orelha esquerda. Não havia impressões digitais, marcas de pneus ou sinais de luta.
Na mesma Vallejo vivia Darlene Ferrin, de 22 anos, com o marido e uma filha, ainda pequena. Darlene conhecia Betty Lou por ter feito o secundário a poucos metros da casa da vítima.
Haviam se passado seis meses desde o assassinato do casal e Darlene, na tarde de 4 de julho daquele ano, ligou para um amigo, Mike Mageau, para sair. Depois de deixar seu bebê com a irmã, foi para a casa de Mike.
O casal saiu e logo notou que estavam sendo seguidos por um carro de cor clara. Tentaram se livrara dele e terminaram numa das saídas da cidade. Entraram num campo de golfe e seu carro morreu. Foi quando o suspeito entrou no mesmo campo, ultrapassou-os e voltou, parando atrás deles como faria uma viatura da polícia, com os faróis altos. De repente um barulho de vidros na parte de trás do carro do casal anunciava o novo ataque do assassino. Darlene recebeu nove tiros e caiu sobre a direção, enquanto Mike tentava escapar. Ele não encontrou a maçaneta e conseguiu ter uma visão do assassino: 90 quilos, 1,75 m de altura, cabelo claro e encaracolado, curto. Usava japona como seu fosse da Marinha e calças vincadas que não escondiam a barriga.
Pouco tempo depois, quando já era meia noite e dez, a central da polícia recebe um telefonema e os policiais chegam à cena. As cápsulas encontradas não deixam dúvida de que os dois casos registrados foram feitos pelo mesmo criminoso. Darlene é declarada morta ao chegar ao local, enquanto Mike é submetido a várias cirurgias e escapa por muito pouco da morte. Quarenta minutos depois da meia-noite a central de polícia recebe um telefonema anônimo que conta o que acontecera no local.
Pouco depois deste caso chegaram as cartas quase idênticas aos três jornais já citados. Numa delas o assassino contava longos pormenores dos dois ataques aos casais, incluindo munição usada e posição dos corpos das vítimas. Junto à carta havia uma mensagem cifrada e uma ameaça explícita. Caso esta não fosse publicada até o final da semana, ele passaria o fim-de-semana atirando a matando a esmo. Com a ajuda de um professor de história, Donald Haden, e sua esposa, leitores dos jornais, a mensagem foi decifrada. Embora não revelasse a identidade do assassino, falava que seu objetivo era matar pessoas para que estas “se tornassem meus escravos no outro mundo”.
A cifra dos jornais chamou mesmo a atenção das autoridades. O chefe de polícia de Vallejo, Jack Stiltz, declarou à imprensa que duvidava que o autor dos criptogramas fosse o verdadeiro assassino. Isso provocou uma reação do maníaco que, sem tardar, mandou uma nova carta, desta vez assinada com o nome que adotara: o Zodíaco.
As matanças continuaram e a cada nova carta chegava com uma nova cifra. Desta vez Cecelia Ann Shepard, de 22 anos, e Bryan Hartnell, de 20 anos, estavam a cerca de 56 km ao norte de Vallejo, num parque próximo ao lago Berryessa. Era pouco depois das quatro da tarde e o casal estava sentado na margem.
Foi ela quem notou inicialmente um homem que se aproximava do local. Quando ele estava mais próximo ambos notaram que estava armado. Mas vestia um capuz com uma máscara e um símbolo no peito, um círculo com uma cruz no centro, como uma mira A máscara era achatada em cima, com ângulos salientes e abertura para os olhos.
O assassino parou para conversar com as vítimas. Disse que havia fugido de uma prisão, em Montana, e que queria ir para o México. Ameaçou Bryan para que este não bancasse o herói. Tirou do bolso uma corda e ordenou que Cecelia o amarrasse. Chegou a verificar se os nós que ela havia feito estavam firmes. Depois se voltou para ela e disse que ia esfaqueá-los. Bryan levou várias facadas nas costas e Cecelia nas costas, no ventre, no abdome e no peito. Quando terminou, deixou o dinheiro e as chaves do carro no cobertor onde o casal estivera e foi embora. Foi a primeira vez que atacara durante o dia.
Novamente o Zodíaco abusara de sua sorte e telefonara para a polícia de Napa para dizer o que tinha feito. E declarou que era o assassino. A ligação vinha de novo de um local público, um lava-carros. Novamente os testemunhos fazem bater as descrições com os casos anteriores.
A última vítima oficial apareceu em 11 de outubro. Paul Lee Stine estava parado com seu táxi às 9:30 da noite de 11 de outubro, em San Francisco. Um homem se aproximou do carro e deu um endereço. Como Stine estava preso no tráfego e ia na verdade pegar outro cliente, e o endereço fornecido ficava em seu caminho, pensou em faturar com suas corridas seguidas.
Quando chegou no local que o passageiro desejava o resultado foi um tiro à queima-roupa na face direita do motorista. O assassino passou para o banco da frente, roubou a carteira e rasgou um pedaço da camisa da vítima. Saiu do táxi, limpou as portas dianteira e traseira, o painel da frente, bateu a porta e afastou-se, andando.
Porém uma menina de 14 anos havia visto a cena toda, parada numa festa de aniversário que acontecia no outro lado da rua. Porém a sorte estava à favor do assassino, pois quando a telefonista recebeu a denúncia, espalhou que o homem procurado era um negro, quando era a vítima que era dessa cor.
É o caso mais confuso. Segundo alguns relatos, inclusive do próprio assassino por carta, uma viatura chegou a Pará-lo na rua e perguntar se tinha visto alguém suspeito. Ele teria indicado a direção de um parque e continuado em seu caminho. Como alguém com sangue nas roupas teria conseguido escapar, jamais se saberá.
Muitas outras cartas chegaram após a morte de Stine. Uma delas, inclusive, com o pedaço rasgado da camisa da vítima. O Zodíaco, que percebia que a imprensa dava cada vez menos espaço para ele nos jornais, chegou a dizer que iria atacar um ônibus escolar e matar as crianças que lá estivessem. Um esquema forte de segurança foi montado, mas nada aconteceu.
Algumas cartas que ele mandava diziam que a contagem de vítimas aumentava e a lenda de seus ataques cresceu em proporções de mito. Algumas dessas cartas pediam ajuda, mas nunca conseguiram entender se ele realmente queria isso ou se tudo não passava de mais uma provocação.
A última comunicação oficial chegou em abril de 1978. E dizia:
“Estou esperando por um bom filme sobre mim. Quem me interpretará?”
Dália Negra (Los Angeles, Estados Unidos, 1947)
O filme de Bryan de Palma de mesmo nome foi inspirado neste estranho caso. A vítima em questão era Elizabeth Short, de 22 anos, que atendia pelo apelido de Dália Negra. O crime, por causa de seus requintes e de suas poucas pistas, foi muito divulgado pela imprensa e ganhou os jornais e a simpatia do público na época. Encontrado em 15 de janeiro daquele ano no Leimert Park, o corpo estava terrivelmente mutilado e decapitado.
Short era natural de Hyde Park, no estado norte-americano de Massachussets. Foi criada em Medford, também naquele estado, pela mãe, Phoebe Mãe, depois que seu pai, Cleo Short, abandonou a ela e as quatro irmãs em 1930. Elisabeth sofria de asma e por isso passava os verões em Medfors e os invernos na Florida. Com 19 anos foi para Vallejo (a mesma cidade dos crimes do Zodíaco anos depois) onde viveu com o pai. Os dois foram para Los Angeles em 1943, mas depois de uma discussão, ela decidiu partir e obteve um emprego em Campo Cooke, próximo à cidade de Lompoc. Foi para Santa Bárbara, onde foi presa por beber sem ter idade e foi enviada para as autoridades juvenis de Medford. Ganhava a vida nesse período como garçonete.
Na Florida ela conheceu o Major Matthew M. Gordon Jr., um official que chegou a escrever-lhe durante suas missões. Numa dessas, ele a pediu em casamento e ela aceitou, mas ele morreu num acidente de avião em 1945 antes de voltar aos Estados Unidos.
Ela voltou á Califórnia em 1946 para reencontrar um velho namorado da Florida que conhecera durante a II Guerra Mundial. Nos seis meses anteriores à sua morte ela permaneceu por lá e ganhava a vida em vários hotéis e casas particulares, onde não ficava mais que algumas semanas.
Poucos detalhes se sabem sobre o destino de Short. O nome de Dália Negra teria sido colocado nela para lembrar um filme que então era exibido, Dália Azul, com Alan Ladd e Veronica Lake. Muitas pessoas também contatar a polícia dizendo que haviam-na visto durante uma semana “perdida”, quando ela desapareceu até quando foi encontrada morta. As investigações do caso foram as maiores que já se viram e envolveram milhares de policias emprestados de outros distritos. Por causa da complexidade do caso eles trataram cada pessoa que conhecia Short como suspeito, por isso milhares foram entrevistadas e centenas tratadas como acusados. Nenhuma suspeita, entretanto, levou a uma conclusão segura e o caso permaneceu sem solução até hoje.
Esperava-se que, com o lançamento do filme de de Palma, em 2006, surgisse alguma luz no caso, mas até o presente momento o mistério de quem ou por que teria matado Short permanece.
Novo Comentário Sobre o Livro Códigos e Cifras

CAPA DE CÓDIGOS E CIFRAS: DA ANTIGUIDADE À ERA MODERNA
O meu mais recente livro, CÓDIGOS E CIFRAS – DA ANTIGUIDADE À ERA MODERNA está com uma boa receptividade do público. Ao navegar pela internet é fácil deparar com um ou outro blog de tecnologia que comenta sobre o trabalho, o que me deixa feliz pela boa receptividade da obra.
Desta vez o que me chamou a atenção foi esbarrar por um acaso com um blog de um carioca que assina com o peudônimo de “Um Cara de 30″. Vejam só o que ele comentou num post que ganhou o título de Codigos Mundanos ou Momento Merchand:
“Hoje em dia tudo gira em torno dos códigos utilizados quando achamos que não estamos usando. Se você envia um e-mail, saiba que ele está codificado de alguma forma. Assim era quando César liderou Roma para a glória, nos tempos antes de Cristo. Se ainda existe alguma dúvida quanto a isso, Sérgio Pereira Couto dirimiu todas elas em sua nova obra, lançada agora pela Editora NovaTerra.
Códigos & Cifras – Da Antigüidade à Era Moderna é quase um tratado sobre o assunto, abordando desde os primeiros códigos utilizados pelo homem até os mais atuais – aqueles que você usa sem saber, lembra? – passando pelos códigos usados nas guerras e as evoluções que os códigos antigos sofreram para ajudar os codificadores modernos a desenvolverem esses modernosos meios de sua mensagem (quase sempre) chegar ao destinatário sem ser descoberta.
A obra ainda inclui um apêndice especial codificado, onde o leitor será capaz de aplicar os conceitos e cifras vistas e sentir na própria pele como é decodificar uma mensagem!”
Muito bom ver que o pessoal se empolga com nosso trabalho. O blog dele pode ser acessado em http://umcarade30.blogspot.com/
Artigo Sobre Alcatraz é Publicado na Leituras da História

Capa da Leituras da História #14
Novo artigo de minha autoria publicado na edição de número 14 da revista Leituras da História, da Editora Escala. Desta vez mereceu um destaque de capa. Trata-se de uma reportagem sobre a história de uma das prisões mais famosas e infames da história norte-americana: Alcatraz, de onde Hollywood fez filmes memoráveis sobre o local e seus habitantes famosos como Al Capone.
A revista já está nas bancas. Abaixo a reprodução do texto oficial:
Atrás das Grades de Alcatraz
Isolada em uma ilha, a prisão Alcatraz ficou famosa por abrigar os bandidos mais perigosos dos Estados Unidos. Confira nesta edição de Leituras da História relatos da prisão norte-americana, que era considerada a mais violenta do continente.
Assim Nascem as Lendas Urbanas
O último dia 19 de novembro, quando realizei o workshop sobre sociedades secretas na Livraria Cultura de São Paulo, foi decisivo em muitos sentidos. Além de promover o livro SOCIEDADES SECRETAS – O SUBMUNDO e conhecer mais pessoas ligadas a esse obscuro mundo, descobri que, pelo menos em Minas Gerais, sou considerado um “maçom expulso”.
A história é simples: um dos participantes do workshop, que estava na platéia, comprou um livro meu, MAÇONARIA PARA NÃO-INICIADOS, numa cidade próxima a Barbacena. O vendedor, não satisfeito em fazer sua venda, começou um boato de que eu era um maçom que tinha sido expulso da ordem por escrever esses livros e revelar seus segredos. A ironia não poderia ser maior, já que nunca entrei para a maçonaria (pelo menos não por enquanto). Com certeza este porém me ajuda a vender os livros, mas mesmo assim é estranho saber que, em algum lugar deste país, você é conhecido dessa maneira.
Abaixo reproduzo uma parte de um email que essa pessoa me enviou. Ele não só confirma o boato como também diz que está me ajudando a quebrar essa lenda urbana:
“Vc se lembra aquela manhã no shopping na Avenida Paulista quando a gente se esbarrou e acabamos tomando um café e conversamos um pouco?
Pois então. Naquele dia eu havia dito a vc que aqui em Minas Gerais vc estava sendo considerado um ex-maçom que resolveu escrever livros, e revelar alguns segredos da ordem, lembra?
Pois a novidade é que esse boato está se acabando e dando lugar a uma verdadeira interpretação sobre o autou Sérgio Pereira Couto.
É porque eu tomei a liberdade de mandar algumas dezenas de e-mail pra todos os meu amigos, maçons e não maçons, e um deles tem uma grande livraria aqui na minha cidade.
Agora eles estão indicando os seus livros pra todos as pessoas que querem ser maçons e pra todos que ja são. Eu estou me referindo expecificamente ao seu livro Maçonaria Para Não Iniciados.
Pois à primeira vista o título deu motivo de especulação e agora que eles o leram viram que se trata de uma observação coesa e séria sobre os requisitos e qualidades que um profano tem que ter pra poder ser convidade a ingressar na ordem.
Sérgio, espero que vc e a editora possam ver um aumento das vendas em Minas Gerais, e com isso receber o reconhecimento de que tem direito.
No e-mail e no encontro que tenho com meus professores e amigos eu falei também dos outros livros, e tinha um professor entre eles que estuda os Templários há 24 anos. Ele leu o seu livro SOCIEDADES SECRETAS – TEMPLÁRIOS e adorou”.
Vale ressaltar que a pessoa que me enviou esse email (que preferi deixar no anonimato) é um maçom, o que torna sua opinião muito importante.
E assim nascem as lendas urbanas…
Cientista recria rosto de Cleópatra para documentário

Reconstituição do rosto de Cleópatra
Da BBC Brasil
Para recriar a face de Cleópatra, a arqueóloga Sally Ann Ashton, da Universidade de Cambridge, usou imagens gravadas em artefatos antigos, como um anel que data da época do seu reinado, há 2 mil anos.
Ela passou mais de um ano analisando as imagens para compor o rosto da rainha e as manipulou em computador até chegar ao resultado em três dimensões.
O rosto recriado pela egiptóloga revela uma mulher de etnia mista, com traços egípcios e da sua herança grega.
A imagem fará parte do documentário Cleopatra, parte da série Segredos do Egito, do canal de televisão britânico Five.
A rainha Cleópatra já foi interpretada no cinema por atrizes conhecidas pela beleza, como Sophia Loren e Elizabeth Taylor.
Em 2007, um estudo realizado por especialistas da Universidade de Newcastle, na Grã-Bretanha, sugeriu que tanto Cleópatra quanto seu amante, Marco Antônio, não eram bonitos.
Os pesquisadores analisaram uma moeda de prata de 2 mil anos que mostrou que a rainha egípcia tinha queixo e nariz pontudos e lábios finos.
Códigos e Cifras é Recomendado pelo Clube do Hardware
Um dos sites mais conceituados sobre informática e assuntos correlacionados, o Clube do Hardware (www.clubedohardware.com.br), mantido pelo também escritor e programador Gabriel Torres, escolheu meu livro CÓDIGOS E CIFRAS – DA ANTIGUIDADE À ERA MODERNA como recomendação de dezembro.
Eis o texto de lá:
“Se você está estudando criptografia este certamente é um livro que você gostará. Trata-se de um livro mostrando, de forma histórica, a evolução da criptografia, bem como a biografia dos codificadores mais famosos de todos os tempos. O livro inclui ainda um apêndice especial codificado onde você será capaz de aplicar os conceitos expostos no livro e sentir na pele como é decodificar uma mensagem”.
Para mim é um grande honra poder ser indicado pelo Gabriel, uam pessoa muito respeitada nos meios de informática. O leitor interessado em ver a recomendação pode acessar o link http://www.clubedohardware.com.br/pagina/recomendados
Para adquirir o livro acesse os sites do Submarino (http://www.submarino.com.br/produto/1/21435052?franq=357) e da Saraiva (http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=2612898&ID=C94483937D80C0C0B22370242).
Segredos e Lendas do Rock no Programa CQC da Band
Por essa eu realmente não esperava: uma leitora me avisou, via Orkut, e tive que ver com meus próprios olhos. E não é que aconteceu mesmo?
Meu livro SEGREDOS E LENDAS DO ROCK participou involuntariamente de um quadro do programa CUSTE O QUE CUSTAR, da Band, comandado por Marcelo Tass e companhia. Sei que não foi exatamente uma homenagem ao trabalho, mas valeu pela propaganda.
Confira o link com o vídeo em http://www.band.com.br/cqc/?v=8698
Escavações revelam modo de vida de cidadãos comuns no Antigo Egito

- As pirâmides do Egito
Da Globo.com
Estudos em regiões mais afastadas das grandes pirâmides rendem frutos. Descobertas afastam hipótese de que o Egito era uma civilização sem cidades.
Por muito tempo, arqueólogos têm fixado suas visões no esplendor do antigo Egito, as pirâmides, templos e tumbas. Poucos se importaram em cavar mais ao sul e além das pedras monumentais, em busca dos espaços de moradia e trabalho dos egípcios comuns.
Isso está mudando lentamente. Nas últimas duas ou três décadas, escavações têm descoberto restos urbanos e distantes da idéia convencional de que o Egito dos faraós, ao contrário da Mesopotâmia, era uma civilização sem cidades.
“Agora nós podemos confirmar que esse não era o caso”, diz Nadine Moeller, uma egiptóloga do Instituto Oriental da Universidade de Chicago. Moeller estava falando de suas próprias descobertas recentes, assim como daquelas de outros escavadores especializados em arqueologia de assentamento.
Ela descreve a descoberta de um grande edifício administrativo e sete silos de grãos enterrados no sítio de uma antiga capital provinciana no Nilo Superior. Os silos redondos parcialmente preservados, com mais de 3.500 anos, parecem ser as maiores caixas de armazenamento conhecidas do Egito antigo. Impressões de selos e outros artefatos associados a produtos de consumo colocam uma data de certa forma mais antiga para o edifício central, com pelo menos 16 colunas.
Um anúncio oficial da descoberta foi feito por Zahi Hawass, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades no Egito. Ele é conhecido pela mais espetacular pesquisa sobre múmias e tumbas, mas agora está estimulando uma maior atenção para a exploração de assentamento.
Visão completa
“Esse é realmente um sítio incrível, no topo da arqueologia egípcia recente”, diz Stuart Tyson Smith, da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, que não esteve envolvido no projeto. “Escavando em cidades, você tem a escala completa da vida, e não a visão limitada da sociedade vista de cima, dos ricos e da elite.”
Mark Lehner, um egiptólogo que descobriu resíduos de povoações de trabalhadores que construíram as pirâmides em Giza, diz ter inspecionado, no sítio de Moeller, camadas de sedimentos que mostravam ocupação retroativa em 5.000 anos até o surgimento da civilização egípcia, indo até o período islâmico no primeiro milênio d.C. Os silos estão próximos de ruínas de templos de aproximadamente 300 a.C.
“Onde havia templos, estamos aprendendo, eles eram rodeados por cidades que foram geralmente negligenciadas”, diz Lehner.
O local da descoberta recente fica em Tell Edfu, na metade do caminho entre as cidades modernas de Aswan e Luxor (Tebas na antiguidade). Por muito tempo da história egípcia, o governo central ficava em Memphis, ao norte, ou em Tebas. A cidade em Tell Edfu era um importante centro regional fortemente ligado a Tebas.
Moeller e um time de arqueólogos europeus e egípcios começaram escavações perto do templo em 2005. Eles expuseram um grande pátio cercado de paredes de tijolos de barro. Por baixo do pátio, eles encontraram fundações dos primeiros três de sete silos. A partir dos artefatos, os arqueólogos dataram os silos como sendo da 17ª dinastia, 1630 a.C. a 1520 a.C.
Essas caixas de armazenamento, presumivelmente para cevada e trigo usados para alimentação e como meio de troca, foram construídas com tijolos de barro, com diâmetros de 18 a 22 pés. Se sua altura fosse maior que o diâmetro, o que era comum, os silos provavelmente teriam pelo menos 25 pés de altura.
“Seu tamanho foi uma surpresa, como nada que havíamos encontrado antes, certamente não em um centro de cidade”, diz Moeller.
Nos últimos três anos, o time escavou as bases das colunas e câmaras do que eles acreditavam ser o centro administrativo da cidade. O desenho do edifício sugere que ele possa ter sido parte do palácio do governador, e artefatos o marcam como o coração econômico da cidade.
Impressões de selos, que estabeleceram a existência do prédio na 13ª dinastia, 1773 a.C. a 1650 a.C., indicam seu uso na identificação de diferentes produtos de consumo. Alguns selos mostram padrões ornamentais de espirais e símbolos hieroglíficos pertencentes a diversos funcionários. Arqueólogos dizem que isso evidencia as atividades no prédio, como contabilidade e abertura e fechamento de caixas e jarros de cerâmica no curso de transações comerciais.
“O trabalho em Edfu é importante por permitir que examinemos o Egito antigo como uma sociedade urbana”, diz Gil Stein, diretor do Instituto Oriental.
Como especialista em arqueologia mesopotâmica, Stein registrou a hipótese de que o vale dos rios Tigre e Eufrates era “uma terra de cidades e o Egito era algo diferente, porque no Egito nós não estávamos procurando cidades.”
Egiptólogos creditam a Manfred Bietak da Universidade de Viena, Barry Kemp da Universidade Cambridge na Inglaterra e Lehner, agora com a Ancient Egypt Research Associates em Boston, a liderança na pesquisa de escavação em busca de conhecimento sobre a vida urbana diária ao longo do Nilo. “É um clube pequeno, mas estamos conquistando novos adeptos”, diz Smith.
Vala na França pode ter restos de 400 soldados da I Guerra Mundial

Cenas da I Guerra Mundial
Da BBC Brasil
Pesquisadores da Divisão de Arqueologia da Universidade de Glasgow, na Escócia, iniciaram uma operação para escavar o campo de batalhas em Fromelles, na esperança de encontrar soldados que foram considerados desaparecidos há 92 anos.
A equipe já descobriu fragmentos de corpos, incluindo parte de um braço humano. Especialistas afirmam que a vala comum pode conter os restos de até 400 soldados.
Muitos familiares de soldados que lutaram na Primeira Guerra Mundial, principalmente australianos, esperam que os arqueólogos encontrem os restos dos soldados para que eles finalmente tenham um funeral.
A batalha
A batalha de Fromelles, em julho de 1916, tinha como objetivo desviar as tropas alemãs e impedir que os soldados chegassem até o campo de batalha em Somme, ao sul.
Mas, devido a falhas no planejamento da batalha, a missão foi desastrosa.
Apenas nas primeiras 27 horas, cerca de 2 mil soldados australianos foram mortos e, no total, mais de 7 mil soldados australianos e britânicos foram mortos, feridos ou considerados desaparecidos.
Os arqueólogos escoceses examinam a área perto dos bosques onde, segundo os pesquisadores, os alemães teriam enterrado os soldados mortos em uma vala.
Soldados australianos estão acompanhando as escavações enquanto a equipe de cientistas revira o solo procurando por ossos, armas e fragmentos de uniformes. Até o momento, foram encontrados restos em cinco dos oito locais de escavações.
“Ao examinar os fragmentos de uniformes, os especialistas podem afirmar se são britânicos ou australianos porque eles tinham botões diferentes”, diz Peter Barton, historiador especialista na Primeira Guerra Mundial que participa da escavação.
Se a vala comum com os 400 soldados for mesmo encontrada, os países de origem dos soldados vão decidir se haverá uma exumação e, depois, um funeral. Outra opção é deixar os soldados onde estão e construir um monumento no local.
‘Computador’ de 2 mil anos previa ciclo das Olimpíadas

O Mecanismo de Antikitera
Da BBC Brasil
O Mecanismo de Anticítera foi encontrado em 1901 por um grupo de pescadores de esponjas, em um barco naufragado. O complexo sistema é composto por rodas e engrenagens de bronze.
Desde a descoberta, os cientistas já haviam identificado que o Mecanismo era capaz de calcular a posição do Sol e da Lua.
No estudo recente, publicado na edição desta semana da revista científica Nature, um grupo de pesquisadores descobriu que o mecanismo servia ainda como uma espécie de computador que armazenava informações sobre o ciclo quatrienal dos jogos esportivos pan-helênicos.
Liderado por Tony Freeth, do Projeto de Pesquisa do Mecanismo de Anticítera, o grupo fez radiografias dos 30 discos do sistema e conseguiu decifrar as pequenas inscrições gravadas nas superfícies.
Um dos discos, até então considerado um calendário de 76 anos, estava gravado com as palavras “Olympia”, “Nemea” e “Naa”– referência ao nome de alguns dos jogos pan-helênicos, formados por quatro jogos que ocorriam ao longo de quatro anos.
“O ciclo das Olimpíadas era um ciclo de quatro anos muito simples, e não era preciso um instrumento sofisticado como esse para fazer o cálculo. Foi uma grande surpresa quando vimos isso”, disse Freeth.
“Mas os Jogos tinham tanta importância cultural e social que não é incomum o fato de terem sido inscritos no Mecanismo”, afirmou.
“As novas inscrições revelam que o mecanismo não era simplesmente um instrumento de ciência abstrata, mas que demonstrava fenômenos astronômicos relacionados com as instituições sociais da Grécia”, disse o pesquisador.
Arquimedes
O grupo de pesquisadores identificou ainda que o mecanismo trazia o nome dos 12 meses. Segundo o estudo, os nomes seriam de origem coríntia, o que indicaria que o conceito do mecanismo poderia ser estendido até Arquimedes, que viveu entre 287 a.C e 212 a.C.
De acordo com Alexander Jones, professor do Instituto para o Estudo do Mundo Antigo em Nova York, nos Estados Unidos, o Mecanismo de Anticítera foi muito provavelmente construído “décadas depois” da morte de Arquimedes.
Caso realmente tenha origem na região coríntia de Siracusa, é possível que o Mecanismo tenha sido criado pela escola de cientistas e inventores de instrumentos inspirada nos ensinamentos de Arquimedes.
O artefato foi encontrado pelos mergulhadores ao lado de outros tesouros e retirado dos restos de um naufrágio a 42 metros de profundidade na ilha de Anticítera, entre Creta e Citera.
O Mecanismo de Anticítera está exposto no Museu Nacional de Arqueologia, em Atenas.
