CANTO DO ORÁCULO

Trabalhos Literários do Jornalista e Escritor Sérgio Pereira Couto

Archive for Junho 17th, 2009

Artigo – As Mensagens Ocultas do Código da Bíblia (Parte 1 de 2)

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O primeiro livro de Michael Drosnin

O primeiro livro de Michael Drosnin

Mais um texto do livro ainda inédito sobre o Código da Bíblia.

Não é uma tarefa fácil desvendar a Bíblia. Prova disso é que muitos estudiosos sérios se dedicam ao assunto há anos e muitas conclusões diferentes foram publicadas ao longo dos anos. Ainda mais difícil é analisar os textos de videntes e adivinhos que prevêem grandes acontecimentos da história da humanidade, da Revolução Francesa à Primeira Guerra Mundial, da Revolução Russa à Segunda Guerra Mundial.
Textos como as Centúrias de Nostradamus, de acordo com seus pesquisadores, chegam mesmo a fazer referência aos fatos, porém com leves trocas de nomes e lugares. Por exemplo, para definir Hitler o nome utilizado na obra do profeta francês foi Hister. E muitos acreditam que Nostradamus acertou com uma diferença mínima, parecida com aquelas projetadas em pesquisas de opinião pública, ou seja, as predições possuem alguma margem de erro que pode muito bem ser desprezada em vista das circunstâncias.
Porém, de acordo com Michael Drosnin, o fabuloso Código da Bíblia apresenta tudo nos mínimos detalhes. O suposto texto intocado escrito há três mil anos possui, em seu escopo, termos como avião, torres gêmeas e bin Laden escritos dessa mesma maneira em versículos do Gênesis e outros livros do Pentateuco e disfarçados nas enormes matrizes que só mesmo o programa de computador do professor Eliyahu Rips pôde localizar.
E mais misterioso que o próprio código é descobrir como um software deste tipo foi liberado para uso irrestrito de um jornalista do The New York Times.
Incansável em sua missão como relator da verdade, Drosnin repete ao ponto da exaustão em seus livros que ele não acredita em Deus, é um judeu ateu (se é que tal coisa existe) e que só quer a verdade. Mas o leitor que se atreve a tentar desvendar o que ele quer dizer com isso simplesmente não entende por que é que um repórter tem que ficar na redação e no envio constante de cartas (um dos métodos mais em desuso atualmente) para grandes chefes de estado americanos e israelenses, alertando-os de seus achados constantes na matriz do Código. Não ser religioso é uma coisa, mas levar mensagens supostamente ocultas na Bíblia tão a sério a ponto de se imiscuir nos quartéis-generais de pessoas como Yasser Arafat, Bill Clinton e Ariel Sharon faz pensar no quanto certos profissionais abusam do status de jornalista.
Não que a situação não tenha um quê de cômica. De acordo com seus relatos no segundo livro, O Código da Bíblia – Contagem Regressiva, Drosnin não consegue ser levado a sério pelos seus próprios companheiros judeus, que acabam comparando-o (guardadas as devidas proporções, claro) com a história homérica de Cassandra de Tróia que, obtendo o dom da profecia do deus Apolo e recusando a se entregar a ele, foi condenada a prever o futuro e não ter uma só alma que acreditasse nela. Assim ela previu a queda de Tróia nas mãos dos gregos e foi uma das poucas que teria se salvado.
Do lado inimigo, por assim dizer, a coisa é bem diferente. Depois de muito insistir para obter um encontro com Arafat, as dúvidas de Drosnin sobre se este aceitaria profecias codificadas no livro sagrado do inimigo aumentaram significativamente. Para sua surpresa, não só Arafat acreditou piamente em tudo que o jornalista lhe revelara como o considerou um amigo por ter dado os avisos. Um dos oficiais ligados ao líder palestino acrescentou que Arafat era um crente em profecias e que, por mais que Drosnin se recusasse a assumir tal papel ou que explicasse todo o processo matemático por trás do Código (coisa estranha, já que ele nem matemático é), era como profeta que seria encarado pelos árabes.
Neste artigo faremos um resumo sobre as profecias encontradas nos dois primeiros volumes do Código e veremos algumas recapitulações históricas. Quem ler o original verá que Drosnin é muito inconsistente em suas pesquisas e que chega ao cúmulo de forçar a barra para o lado esotérico, apesar de se declarar ateu. Mais detalhes sobre isso e a dita “chave do Código”, um dado extra que revelaria mais sobre a natureza e sua “verdadeira” origem podem ser lidas com mais detalhes em futuros artigos.

O Assassinato de Yitzhak Rabin
Muito se falou sobre o assassinato do primeiro-ministro israelense que, junto com Yasser Arafat, prometia finalmente tornar a paz entre israelenses e palestinos uma realidade. A imagem imortal dos dois apertando as mãos sob o olhar do então presidente dos estados Unidos, Bill Clinton, foi uma das mais marcantes do ano de 1993.
Porém essa paz não durou muito. Ou melhor, não durou nada, pois foi quebrada quando em 4 de novembro de 1995 um judeu chamado Yigal Amir atirou contra o primeiro-ministro na cidade de Tel Aviv, a segunda maior de Israel.
Amir era um dos muitos judeus radicais que usam métodos tão extremos quanto os islâmicos radicais. Ele era contra a paz que Rabin forçava com os palestinos e o estopim para tal demonstração de radicalismo se deu quando Rabin assinou o Acordo de Oslo, pelo qual certas regiões em disputa pelos dois povos (notoriamente a Cisjordânia e a Faixa de Gaza) eram finalmente entregues aos cuidados de um deles.
Muitos israelenses, na época, ficaram chocados pelo ocorrido e mais ainda por ter partido de um deles. O funeral do político foi um acontecimento do qual muitos chefes de estado, incluindo Clinton e os presidentes do Egito, Hosni Mubarak, e da Jordânia, rei Hussein, compareceram. A imagem mais conhecida daquele fatídico dia foi a de uma folha de papel ensangüentada que ele segurava no dia com a letra da canção Shir Lashalom (Canção da Paz).
E é aí que começa a saga de Drosnin como profeta do Código da Bíblia. Em seu primeiro livro ele conta como voou para Israel em setembro de 1994 e encontrou-se com um amigo íntimo de Rabin em Jerusalém, o poeta Chaim Guri. Explicou em detalhes o que havia descoberto por si mesmo com o programa de computador do professor Rips e que a única vez em que o nome de Rabin aparecia completo, estava cruzado pela expressão “assassino que assassinará”.
Assim uma carta assinada pelo jornalista para Rabin foi entregue. Ele confessa em sua obra que tomou tal iniciativa porque já havia visto outros assassinatos codificados, entre eles os de Anwar Sadat, terceiro presidente do Egito morto em 1981, e os dos irmãos John e Robert Kennedy. Além desses outros fatos haviam sido encontrados no Código, que iam do Escândalo de Watergate até a bomba de Hiroshima, muitos deles descobertos por Rips e seus associados quando de seus estudos matemáticos.
No caso de Rabin, além das palavras já citadas, outras foram encontradas. O nome do assassino, Amir, também estava lá, além do nome da cidade onde aconteceu, Tel Aviv, e o que se tornaria um fato corriqueiro nas “investigações” do jornalista, uma frase inteira codificada: “ele abateu, ele matou o primeiro-ministro”. Até o ano em que o fato aconteceu, 5756 (que corresponde ao ano gregoriano de 1995).
Como a maioria dos leitores pode adivinhar, Rabin ignorou o aviso. De acordo com Drosnin, o próprio amigo do primeiro-ministro, Guri, teria dito: “Rabin não vai acreditar em você. Ele não é de modo algum um místico”.
Uma cópia da carta, entretanto, continua com o autor dos livros sobre o Código, que ele mostraria para provar aos demais chefes de estado contatados desde então que o que estava colocado no Código não era imutável, mas sim apenas avisos de alerta que poderiam ser evitados a partir do momento que se escolhesse assim fazê-lo. Drosnin vai, aos poucos, tornando-se uma figura de um profeta que usa o Código da Bíblia como um oráculo sem falhas e que dá detalhes com um grau de acurácia incrível. Uma atitude excêntrica para quem se diz ateu.

A Guerra do Golfo
O Golfo Pérsico foi palco de um conflito no ano de 1991 que mostrou ao público a verdadeira face de Saddam Hussein. Considerada um dos maiores massacres da história do Oriente Médio, envolveu o Kwait, o Iraque, os Estados Unidos e alguns outros países da região.
Tudo começou em julho de 1990 quando Hussein, então em pleno poder no Iraque, acusou o Kwait de causar a queda dos preços do petróleo. Para complicar a tensão entre os países o ditador iraquiano relembrou antigas brigas por questões de limites territoriais e passou a exigir indenizações. Com a recusa do Kwait em atender às exigências, no mês seguinte o país foi invadido por tropas iraquianas que tinham por missão permitir que Hussein controlasse os poços de petróleo do inimigo.
Como todo conflito internacional, logo a Organização das Nações Unidas se manifestou contra tal atitude e condenou a invasão. A situação piorou muito quando cerca de seis mil civis ocidentais tornaram-se reféns dos iraquianos e foram levados para áreas estratégicas das tropas de Hussein. Imediatamente a ONU impôs um boicote comercial, financeiro e militar ao Iraque. Hussein, em resposta e com a arrogância que lhe era característica, anexou o Kwait ao Iraque.
A exigência para que o Iraque abandonasse o Kwait até 15 de janeiro de 1991 marcou o início de uma mobilização de forças de 29 países, liderada pelos Estados Unidos. Entre os países que participaram da coalizão estavam a Grã-Bretanha, a França, a Arábia Saudita, o Egito e a Síria. Irã e a então União Soviética tentaram ainda um último esforço para estabelecer a paz na região, mas a guerra parecia inevitável.
O conflito, que não se tornou bem uma guerra de amplo alcance como muitos previam, cessou apenas em abril de 1991 quando o Iraque aceitou o cessar fogo decretado em fevereiro pelo então presidente norte-americano, George Bush (pai do atual, George W. Bush). O país sofreu ainda embargos econômicos das Nações Unidas por não apresentar seu armamento químico e bacteriológico, que duraria ainda mais algum tempo.
A descoberta da Guerra do Golfo na Bíblia aconteceu por obra e graça do Dr. Rips, o “decsobridor” do Código. Quando Drosnin sabe, por meio de um jovem oficial do serviço israelense, que Rips falara sobre o assunto três semanas antes do conflito começar e que conseguira dar a data exata para o começo, foi o suficiente para que o jornalista se atrevesse a conhecer mais do trabalho do matemático.
Narra Drosnin em seu primeiro livro que ele pedira a Rips que lhe mostrasse na Bíblia onde estava qualquer menção ao conflito. Em resposta o cientista ligou seu computador e carregou o programa do qual o próprio jornalista se tornaria usuário ávido algum tempo depois. Na matriz descoberta havia termos como “Hussein”, “Scuds”, “Inimigo” e “Guerra”. E como bônus frases como “Fogo no 3o dia de Shevat” (que corresponde a 18 de janeiro de 1991) e “Hussein escolheu um dia”. Tudo no mesmo trecho, o Capítulo 14 do Gênesis, onde, no texto aberto (ou seja, na parte que qualquer um pode ler) conta-se a história das guerras de Abraão contra os reinos vizinhos.
Misteriosamente Drosnin falha ao tentar explicar relação entre a data de 18 de janeiro e a Guerra do Golfo. Essa data, segundo Rips, foi a época em que o Iraque lançou o primeiro míssil Scud contra Israel. E essa era a única data encontrada antes que o conflito estourasse. E isso ocorreu três semanas antes do início do conflito.
Mais estranho ainda é um matemático insistir que apenas Deus poderia escrever algo assim.