Artigo – Alcatraz (Parte 1 de 2)
janeiro 23, 2012 2 Comentários
Na esteira da estréia da nova série dos criadores de Lost, posto aqui um artigo que fiz originalmente para a revista Leituras da História já a algum tempo. A história desta famosa prisão é fascinante e nas mãos dos produtores e roteiristas certos tem tudo para se tornar um sucesso do mesmo calibre da série anterior ou até maior. Boa leitura!
Atrás das Grades em Alcatraz
Isolada em uma ilha, a prisão federal de segurança máxima ficou famosa por abrigar os bandidos mais perigosos dos Estados Unidos, entre as décadas de 1930 e 1960. Transformada em mito, hoje Alcatraz recebe mais de 1 milhão de turistas por ano
POR SÉRGIO PEREIRA COUTO
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Quando a intenção era isolar alguém do resto do mundo, o destino era um só: Alcatraz. Essa ilha localizada na Baía de São Francisco, no Estado norte-americano da Califórnia, serviu como prisão federal de 1934 a 1963 e, na época, foi considerada a mais segura do mundo. Para lá foram mandados bandidos lendários como Al Capone, Robert Franklin Stroud (o “homem pássaro de Alcatraz”), e James “Whitey” Bulger, que até hoje é procurado pela Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal). Fugir da “rocha”, nome popular da ilha, era praticamente impossível: quem conseguisse burlar o forte sistema de segurança, tinha de cruzar a nado as águas gélidas do Atlântico e enfrentar as intensas correntes marítimas, ou mesmo ataques de tubarões.
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Acima, condenados relaxam e conversam durante o banho de sol no pátio, acompanhados de oficiais desarmados, enquanto outros policiais armados os observam de cima das torres da prisão. No alto, policiais vigiam os arredores da entrada de Alcatraz
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Atualmente, a ilha é gerenciada pelo Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos e aberta para a visitação de turistas, que chegam de balsa só para conhecer o antigo presídio. O nome do lugar surgiu quando o explorador espanhol Juan Manuel de Ayala descobriu a ínsula, em 1775, e a chamou de “La Isla de los Alcatraces” ou, em português, “a ilha dos pelicanos”, por causa da enorme quantidade dessas aves que viviam no território. Hoje, o governo norte-americano reconhece a ilha apenas como Bloco 1067 do Condado de São Francisco, Califórnia. O último censo realizado em Alcatraz, no ano de 2000, não apontou moradores no local, o que indica que hoje Alcatraz é tratada apenas como um pólo turístico, e não de habitação.
UM PONTO ESTRATÉGICO
Depois de Juan Manuel de Ayala conquistar a parada dos pelicanos, o primeiro documento de posse da ilha foi registrado em nome de um homem chamado Julian Workman. A terra foi cedida a Workman em junho de 1846, por Pio Pico, o último governador hispânico da Califórnia, quando essa região ainda fazia parte do México. Mas, para que Workman recebesse a ilha, Pico impôs uma condição: que o novo proprietário construísse ali um farol, que até hoje é o mais antigo em funcionamento na costa oeste dos Estados Unidos.
Nesse mesmo ano, estourou a guerra Mexicano- Americana (1846-1848), desencadeada pela anexação do Estado do Texas, pelos norte-americanos. Com o triunfo dos Estados Unidos, a Califórnia passou a fazer parte do território vencedor. Poucos meses antes de terminar o conflito, James Marshall, um empregado de uma serraria californiana chamada Sutter’s Mill, localizada às margens do Rio American, encontrou várias pepitas de ouro no local. A descoberta do metal preciso na região foi o estopim da “Corrida do Ouro” (1848-1855), que transformou a Califórnia: de 15 mil habitantes, em 1848, saltou para 100 mil, em 1849.
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A Califórnia pertenceu aos mexicanos até o final da Guerra Americano-Mexicana (1846-1848), quando os Estados Unidos tomaram posse do futuro Estado da Califórnia
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Como as atenções de pessoas do mundo todo voltaram-se para a costa oeste dos Estados Unidos, o Exército Norte-Americano começou a pensar na ilha de Alcatraz como um local estratégico de defesa. Em 1853, sob a direção do militar e engenheiro Zealous B. Tower, um grupo de técnicos começou o trabalho de fortificação da ilha, que continuou até 1858. A primeira guarnição militar a se instalar em Alcatraz, com aproximadamente 200 soldados, chegou no final daquele mesmo ano.
Quando eclodiu a Guerra Civil Americana, em 1861, a ilha contava com cerca de 85 canhões ao redor de seu perímetro, um número que subiria para 105 apenas cinco anos depois. Na época dos combates, algumas pessoas foram encarceradas em um porão do quartel.
DE PRISÃO MILITAR À FEDERAL
Terminada a Guerra de Secessão, em 1865, o Exército percebeu que a fortaleza, bem como as armas usadas por lá, estavam se tornando obsoletas por causa dos avanços na tecnologia militar. Muitos planos alternativos foram pensados para o local, inclusive a construção de um complexo subterrâneo à prova de balas. Mas, em vez disso, o Exército tomou uma decisão que marcaria a história da ilha para sempre: tornála um centro de detenção. No ano seguinte, já estava construída uma cadeia no estilo rústico, com tijolos expostos. No entanto, foi apenas em 1868 que Alcatraz foi nomeada oficialmente como um complexo de detenção para prisioneiros militares. Na década seguinte, a prisão chegou a comportar um grande número de índios – muitos deles haviam sido detidos sem ter cometido crime nenhum.
Em 1906, um terremoto atingiu São Francisco e destruiu parte das instalações carcerárias da cidade. Por isso, 176 prisioneiros civis foram levados para Alcatraz. Três anos depois, começou a construção de dois enormes blocos de celas feitos de concreto, projetados pelo major Reuben Turner. A ala que separa os dois prédios, e pode ser vista na primeira página desta matéria, tornou-se famosa por ser exibida em vários filmes de Hollywood. Para instalar essa parte da prisão, que ficou pronta em 1912, foi preciso derrubar edificações de três andares, conhecidas como “cidadelas”. Os primeiros pisos de cada cidadela, que ficavam abaixo do nível do solo, foram adaptados para suportar os novos blocos.
| CELEBRIDADES DE ALCATRAZ Entre as centenas de prisioneiros que passaram por Alcatraz, alguns ficaram famosos não só nos Estados Unidos, mas no mundo todo Sem dúvida, o prisioneiro mais famoso de Alcatraz foi Alphonse Gabriel Capone, o Al Capone. Filho de italianos, nascido no Brooklyn, Nova York, em 1899, Capone começou a trabalhar para quadrilhas de bandidos ainda na adolescência. Quando adulto, mudou-se para Chicago e logo virou chefe da máfia. Ele contrabandeava bebidas alcoólicas na época da Lei Seca (1919-1933), e controlava as apostas em corridas de cavalos, casas de jogos, prostíbulos e clubes noturnos. Por causa de uma cicatriz no lado esquerdo do rosto, era chamado de “Scarface” (“cara de cicatriz”, em português). Com uma ficha criminosa tão extensa, Al Capone acabou entrando para a lista dos “inimigos públicos” dos Estados Unidos. Depois de investigado, foi preso em 17 de junho de 1931.
Al Capone foi transferido para Alcatraz em 1934, pois no presídio onde estava anteriormente, em Atlanta, continuou a comandar o crime organizado e subornava os guardas. Somente a rigidez da carceragem de Alcatraz foi capaz de cortar o contato de Capone com outros gângsteres. Mas o criminoso ficou pouco tempo na ilha: quatro anos depois, ele começou a apresentar sipolínais de sífilis, e foi transferido para uma Instituição Correcional Federal, na Califórnia. O estado de saúde de Capone ficou cada vez pior, por causa da progressão da doença, e ele começou a sofrer de demência, uma das conseqüências da sífilis. Capone morreu em janeiro de 1947, em Palm Beach, na Flórida. Robert Franklin Stroud ficou conhecido como o “homem-pássaro” antes mesmo de chegar em Alcatraz. A vida desse criminoso serviu de inspiração para o filme O Homem de Alcatraz, de 1962, com o ator norte-americano Burt Lancaster no papel principal. Stroud nasceu no ano de 1890, em Seattle, Washington. Filho de pais alemães (algumas fontes afirmam que eram húngaros) e fugiu de casa quando tinha apenas 13 anos. Aos 18, na cidade de Cordova, no Alasca, teve uma relação amorosa com Kitty O’Brien, uma dançarina e prostituta de 36 anos. O casal se mudou para Juneau, capital do Alasca.
De acordo com o depoimento de Stroud à polícia, em 18 de janeiro de 1909, enquanto ele estava em seu trabalho, um conhecido dele, F. K. “Charlie” Von Dahmer, espancou Kitty. Naquela noite, ele foi tirar satisfações com Von Dahmer, e o bateboca resultou na morte de Von Dahmer, com um tiro. Stroud foi condenado a 12 anos de prisão e seu caso foi tratado como crime federal, já que o Estado do Alasca ainda não tinha, na época, seu próprio sistema judiciário. |
Enquanto cumpriu pena em Washington, Stroud atacou um assistente do hospital que o havia denunciado por posse de morfina, obtida por meio de ameaças e intimidação. Ele também atacou outro preso com uma faca. Por causa dos ataques, em 1912, ele recebeu mais seis meses de pena e foi transferido para Leavenworth, no Kansas. Sua situação não melhorou por lá. Stroud esfaqueou um guarda e foi condenado à forca. O julgamento acabou invalidado e trocado por uma sentença perpétua, que também terminou por ser invalidada. Por fim, a Suprema Corte condenou- o à morte, em 1920.
A mãe de Stroud apelou ao presidente Woodrow Wilson, que suspendeu a execução e determinou novamente a prisão perpétua. Entre uma agressão e outra, Stroud encontrou três pardais machucados na prisão e resolveu tratar deles. Com o interesse despertado de maneira inesperada, ele começou a analisar não só aquelas aves, como também outras espécies. Criar pássaros, especialmente canários, tornou-se uma atividade praticamente profissional para Stroud: ele trocava os animais por alimentos e dinheiro, para ajudar financeiramente sua mãe, e chegou a abrigar 300 desses animais em sua cela. Ele escreveu dois livros e fez importantes contribuições para a patologia aviária.Stroud foi transferido para a penitenciária da ilha de Alcatraz no ano de 1942. Lá, escreveu mais dois livros e começou a estudar Direito. Conhecendo mais as leis, o criminoso chegou a enviar petições para o governo, alegando que sua pena era injusta. Em 1959, com a saúde debilitada, foi transferido para o Missouri. Morreu em 1963, aos 73 anos de idade, ainda na prisão, sem conseguir que sua pena fosse revista. |









Olá! Sou repórter da Revista Popular Science Brasil, da Editora Alto Astral e estou desenvolvendo uma matéria sobre Teorias da Conspiração. Encontrei seu nome em alguns lugares, li alguns posts do blog e decidi entrar em contato. Você tem experiência, pesquisas, interesse por esse tema? Gostaria de obter uma entrevista com vc para tratar do assunto. Pode me mandar um e-mail de contato? Obrigada, Helena Ometto
Olá, Helena. Claro, tenho alguns dados interessantes resultantes de minhas pesquisas. Mande email para spereirac2@gmail.com e nos falamos mais. Até mais.